A transformação da crise

A transformação da crise

Na última semana o fechamento dos dados referente ao ano de 2016 apresentou o que já se sabia: que passamos pela maior retração econômica de nossa história. Situação similar vivemos apenas em 1930 e 1931.

Em 2015 a economia já havia recuado em 3,8% e em 2016 finalizamos com a retração de 3,6%. Em dois anos nossa queda acumulada foi de 7,4%, algo nunca visto em nossa história, segundo especialistas.
Essa retração foi observada em todos os setores. Agronegócios, serviços e indústria.

Em consonância com este processo, nos últimos dois anos, o consumo das famílias mudaram.

A compactação dos custos, a busca por alternativas em gastos e as restrições aos créditos de bancos e no setor de imóveis e automotivo também contribuíram para uma mudança brusca no padrão de consumo.

A era Lula e Dilma, administrada não só por eles, mas por seus correligionários, sempre se orgulhou em tirar os menos favorecidos da miséria e colocar milhares na classe média, empoderando-os ao consumo. Isso de fato foi feito.

Por outro lado, quanta corrupção rolou para que um projeto social fosse implementado e essa bolha econômica apresentada nos anos anteriores fosse sustentada?

De qualquer forma, em um país pouco educado financeiramente, muitas famílias acabaram em enormes dificuldades diante de uma mudança no cenário econômico. Não só as famílias recém-chegadas ao consumo, mas as que já estavam neste processo também. Ricos ou pobres.

Independente de sua classe, o brasileiro geralmente gasta antecipadamente aquilo que ele ainda não tem. Exemplo disso são os cheques especiais, limites de cartões de bancos e créditos antecipados de farmácias, supermercados entre outros. Geralmente os recursos são usados antes mesmo do salário cair. Isso quando o consumo não ocorre mesmo quando o cidadão está desempregado.

Henrique Meirelles, ministro da fazenda, declarou que falar dos dados apresentados [sobre a retração] é olhar no espelho retrovisor.

Segundo ele, as equipes do atual governo dizem que há forte redução no endividamento das famílias, maior equilíbrio fiscal nas contas com as propostas dos pacotes criados, fora a liberação do FGTS de 30 bilhões nos próximos meses entre outras ações.

Segundo ele, as ações devem não só estimular a economia nos próximos meses, bem como procurar recuperar a confiança nos investidores perante o país.

O fato é que o cenário de crise é muito diferente daquilo que os brasileiros estavam acostumados a ver.
Quando havia crise no passado faltava comida, gasolina e empregos informais. Hoje, mesmo com toda a dificuldade, o brasileiro continuou consumindo, porém, aprendeu a compactar algumas ações e mudar o comportamento financeiro. Na marra, mas aprendeu!

Toda crise é uma oportunidade de mudar algo e o brasileiro sentiu que, por mais que o cenário tenha sido duro, os próximos anos tendem a ser menos complexos. O início do ano e as ações financeiras tomadas mostram isso.

Alguns especialistas apontam estabilização ao final deste ano e retomada apenas para 2018 ou 2019.
Entretanto, se levarmos em conta o aprendizado e o fato de sermos uma nação relativamente nova de idade e recém democratizada, os erros nos ajudarão a ser mais fortes e responsáveis no futuro.

Antonio Gelfusa Junior é editor responsável do SP Jornal.

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