A violência das desigualdades

A violência das desigualdades

A violência das desigualdades

Sou daquelas pessoas que acreditam ser possível melhorar nosso planeta por meio dum maior entendimento entre as pessoas, sabe? Mais respeito, mais afeto, mais consideração pelo outro, mais igualdade. Alguém poderia perguntar: igualdade? Como assim, se somos tão diferentes. Verdade. Sob certos pontos de vista nós somos tão díspares que a possibilidade de existência de igualdade parece quase uma utopia. Mas, na verdade, somos tão iguais que essa condição acaba por fazer muita gente sofrer, especialmente se essa “gente” tiver um ego meio que desenvolvido demais. Eu creio que a promoção da igualdade entre os seres humanos é palavra chave para que sejamos mais felizes nesse planetinha azul. Assim também acreditavam – e pregaram isso de forma aberta – muitos dos grandes líderes que inscreveram seu nome na história com a tinta indelével do sacrifício, do exemplo e até da entrega da própria vida.

Tomando como parâmetro a igualdade sob o viés econômico e social, foi com enorme tristeza e perplexidade que li os resultados de uma pesquisa realizada pela Oxfam (respeitada confederação internacional fundada em 1942 na cidade de Oxford, Inglaterra, que hoje reúne mais de 3 mil parceiros e atua em mais de 100 países). De acordo com o estudo, que teve como principais coordenadores Lucas Chancel, da Paris School of Economics, e Thomas Piketty, autor do best-seller “O Capital no Século 21”, as desigualdades aumentaram profundamente no planeta a partir de 1980. A parte da riqueza nacional nas mãos de 10% dos contribuintes mais ricos passou de 21% a 46% na Rússia e de 27% a 41% na China, entre 1980 e 2016. Nos Estados Unidos e Canadá, este índice passou de 34% a 47%, enquanto na Europa foi registrado um aumento mais moderado (de 33% a 37%). Mas, a maior tristeza veio ao saber que o segundo país com a maior desigualdade é o Brasil, onde 55% da renda estão nas mãos dos 10% mais ricos (em primeiro lugar ficou o Oriente Médio, com 61%). E os números, que a gente aprende que nunca mentem, explicam de forma dura a razão de tantas mazelas que afligem o Brasil. Ora, nada menos que 27,8% de toda a riqueza do país estão nas mãos de 1% de pessoas mais ricas, ou seja, quase que um terço de toda a riqueza nacional está nas mãos de apenas seis brasileiros! Quer mais? O levantamento mostrou que 5% dos brasileiros possuem a mesma fatia de renda que os outros 95% da população. É um escândalo!

É claro que esse simples texto não terá condições de reverter esse quadro, porém, é preciso que esses números – que escondem uma verdadeira tragédia humanitária – sejam divulgados de forma massiva e que seu conhecimento ajude as pessoas a melhor avaliar e escolher que tipo de dirigentes, políticos e administradores deseja.

Num ano de eleições como agora, parece-me que essas desigualdades que matam, faz adoecer e mina as chances de progresso e felicidade de tantos brasileiros, precisa ser escancarada para que todos nos mobilizemos por exigir um país mais justo, mais igualitário e capaz de proteger, dar escola, saúde e dignidade para todos.

Não é admissível que todos os homens e mulheres maravilhosos que tombaram antes de nós, para dar ao Brasil o status de nação respeitável que hoje desfruta, vejam seus sonhos desfeitos pela inação e conformismo de muitos.

Henrique Valêncio é advogado e secretário da Associação Bênção de Paz.

Comentários

Matérias similares

Nenhum Comentário