Alguém está apertando o botão

Alguém está apertando o botão

Repare: quando alguma atividade ilícita ou conspiratória por parte de alguns políticos está por acontecer, algo de muito impacto nos meios de comunicação aparece como forma de frear, intimidar ou mesmo mantê-los ocupados.

Alguns exemplos são bem claros:

Dilma Rousseff, em uma manobra conspiratória nomeando Lula para um cargo de ministro – o que daria ao ex-presidente foro privilegiado já que enfrentava a possibilidade de virar réu na lava jato –, foi barrada por conta dos áudios comprometedores tentando apressar o processo.

Com a mídia explorando o assunto e com sua assessoria de imprensa respondendo a crise interna instaurada, a ex-presidente se manteve ocupada em se defender. A ideia da nomeação foi naturalmente enfraquecendo.

Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, também conspirava e articulava atrapalhando as investigações da operação lava-jato. Foi preso diante de negações absurdas envolvendo recursos no exterior, além do cinismo escancarado.

Não obstante, Sérgio Cabral e Anthony Garotinho, ex-governadores do Rio de Janeiro, foram presos na mesma semana. Cabral também viu sua mulher, Adriana, e todos os seus “homens” de confiança serem detidos, investigados e continuarem presos. Tudo isso enquanto movimentava os bastidores de suas negociatas.

Após a operação carne fraca, também deflagrada pelas instituições investigativas do país, uma grande bomba envolvendo o planalto veio à tona. O empresário Joesley Batista, que gravou Michel Temer em escuta, obteve sob olhar do STF, conversas comprometedoras sobre o silêncio de Eduardo Cunha e de juízes. O consentimento e omissão do ex-presidente foi escandaloso.

No mesmo dia, comprovando a não seletividade de nossas autoridades da lava-jato, Aécio Neves teve seus áudios revelados em conversas com palavrões, negociações e acordos escusos. Sua prisão foi pedida.

Foi revelado também áudio de Aécio com Zezé Perrela, ex-governador de Minas e senador. Aécio ainda viu sua irmã e operadora de seus negócios escusos ser presa.

O destino do ex-ministro Palocci e do senador Delcídio Amaral foi o mesmo. Conversas, contas e ações reveladas. Resultado: prisões decretadas.

Os marketeiros de Dilma, João Santana e Mônica Moura, revelaram o tal email de rascunho para falar sobre as operações que aconteciam e possíveis manobras com recursos do exterior para financiar campanhas. E mais uma vez, assessoria de advogados e de imprensa mantiveram os acusados ocupados se defendendo.

Lula tem sido cada vez mais asfixiado com investigações, evidências e provas claras de envolvimento com os personagens corruptos–de empresários a caciques partidários. Cada vez que ele solta alguma frase polêmica e impositiva, outra investigação aparece.

Não foi diferente com o deputado Rodrigo Rocha Loures que foi pego com uma mala de R$ 500 mil. Estranhamente devolveu o dinheiro e demorou a ser preso. O silêncio deste, que provavelmente foi um dos mais graves acontecimentos recentes, deve-se ao fato de que o deputado com certeza estava negociando algum tipo de delação com a justiça.

Toda essa estrutura do mal, acima relatada, está enraizada no DNA político brasileiro. Nenhum dos políticos acima inventaram a corrupção. Mas todos aperfeiçoaram o processo.

Podemos apostar que juízes, polícia federal e autoridades do supremo estão montando um mapa geral do crime. E alguns investigadores parecem ter o controle disso tudo e muitas vezes soltam a informação no momento certo, de maneira cirúrgica.

A única certeza deste caos do sistema político é que precisamos deixar as autoridades trabalharem e confiar no processo.

Nunca vimos políticos, empreiteiros e empresários serem e continuarem presos.

Todo desdobramento, que ocorrerá daqui para frente, depende dos próximos botões que serão apertados!

Antonio Gelfusa Junior é editor-responsável do SP Jornal.

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