Delegado do 31º DP fala sobre furtos na Vila Carrão

Delegado do 31º DP fala sobre furtos na Vila Carrão

Saiba quais medidas estão sendo tomadas e como auxiliar a atuação da polícia.

Há 29 anos, Pietroantonio de Araújo exerce o cargo de delegado de polícia do Estado de São Paulo. Concluiu o curso de direito no ano de 1985 e atuou como advogado até 1988, quando prestou concurso público.

No decorrer da carreira, trabalhou 5 anos nos plantões policiais, 3 anos e meio no DENARC, cinco anos como assistente do 8º e 1º distrito policial de Guarulhos e titular de setor de investigações gerais da 7ª, 4ª, 5ª e 1ª seccionais.

Nos últimos 14 anos, desempenhou efetivamente a função de delegado de polícia no 29º DP, 87º DP, 63º DP, 70º DP, 73º DP, 46º DP, 51º DP e, desde fevereiro de 2016, no 31º DP de Vila Carrão.

Com um vasto currículo que legitima sua experiência, o delegado Pietroantonio conversou com o jornal e falou sobre suas funções, as principais ocorrências na região e como a sociedade pode participar e auxiliar na atuação da polícia no bairro.

Quais as funções de um delegado?
O delegado de polícia deve analisar, decidir, supervisionar e presidir todas as atividades realizadas pela Polícia Civil, desde Boletim de Ocorrência até a conclusão de um inquérito policial. Também é função do delegado, quando entender ser necessário, representar ao juiz de direito pedido de medidas cautelares, como prisões temporárias e prisões preventivas, com o cumprimento dessas medidas, quebras de sigilo bancário e telefônico, entre outros. Além de organizar e supervisionar as operações policiais.

Quais as ocorrências mais frequentes na região? Quais as estatísticas?
O 31º DP funciona como sede da central de flagrantes. Portanto, atua com equipe completa, inclusive delegado de polícia ininterruptamente, durante 24 horas por dia, todos os dias do ano, e possui plantão policial que durante o período noturno, finais de semana e feriados atendem também a região do Tatuapé, Vila Formosa e Belém, para casos de prisões em flagrante ou ocorrências mais graves. A Vila Carrão, apesar de caracterizado como um bairro residencial de classe média, possui população flutuante, ou seja, passagem de moradoras das regiões mais periféricas. Há incidência de crimes patrimoniais, em sua maioria furtos a transeuntes, a residências e comércios, além de furtos de veículos, porém com muito menos incidências que em outras localidades.

Houve algum caso inusitado/incomum que foi registrado no DP?
Recentemente, recebemos a denúncia de um cidadão que, inicialmente, foi apresentado aqui no DP como vítima de furto do portão de sua residência. Com a prisão dos infratores e atuação do flagrante, acabou ficando preso também a vítima, pois tratava-se de uma pessoa procurada pela Justiça Pública.

Segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública, a Vila Carrão é o 2º bairro com menor número de casos de Lesões Corporais da cidade. Como a ação da polícia impacta nesse índice?
O empenho empregado em nosso trabalho quanto a devida reprimenda a tais crimes na região impacta ou cria no infrator em potencial um receio no cometimento do crime, pois a repressão será implacável. Ressalto ainda que a unidade de Vila Carrão vem dedicando especial atenção aos casos de violência doméstica contra a mulher, orientando adequadamente as vítimas de seus direitos e representando ao Poder Judiciário medidas preventivas, como o afastamento do agressor do lar e proibição de aproximação da vítima.

Alguns moradores do bairro relatam aumento no número de furtos em casas e estepes de veículos. Há números sobre esses casos? Quais medidas a polícia vem tomando para coibir esse tipo de crime?
Vem sendo desenvolvido um trabalho contínuo de repressão a esses delitos e muitos de seus autores são presos em flagrante quase diariamente nessa unidade. Por se tratar de crimes praticados sem violência ou grave ameaça a pessoa, conforme mandamentos legais, a Justiça os coloca em liberdade para responder ao processo soltos, impondo-lhes medidas cautelares, gerando no infrator eventual sensação de impunidade, e percebe-se que muitos deles reincidem. Mas, tais benefícios concedidos pela Justiça são direitos previstos em lei que devem ser cumpridos.

Como a sociedade pode participar e auxiliar a polícia no combate às ações criminosas na região?
Minha experiência profissional, tanto na carreira, como na administração das delegacias nas quais atuei, cada vez mais reforça o meu entendimento no sentido de que a informação é fundamental para o pleno êxito da investigação. O sucesso do trabalho investigativo policial depende e muito da colaboração dos cidadãos no fornecimento de informações que possibilitando à polícia chegar aos autores de crimes. É importante o cidadão denunciar, colaborar e informar a polícia utilizando os canais disponíveis como, por exemplo, o próprio telefone da delegacia (2225-0702) e o Disque-Denúncia (181), o sigilo absoluto da fonte é garantido.

Reportagem: Barbara Novaes. Foto: Julio Gomes.

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