Economia: será que agora vai?

Economia: será que agora vai?

Na última sexta-feira um panorama econômico pareceu entusiasmar, mesmo que de maneira tímida, o empresariado e o desempregado brasileiro: houve um aumento de 0,2% da economia em relação ao mesmo período do ano anterior.

O número parece baixo, muito aquém de economias mais sólidas e organizadas como a China que cresce 6,5% (no primeiro trimestre 2017) e países da América Latina e Caribe que devem crescer 0,8% neste ano.

É triste saber que estamos crescendo abaixo da perspectiva dada à América Latina, continente onde o Brasil é ator principal.

E é muito ruim saber que chegamos ao ponto de comemorar uma pequena melhora, levando em conta que países como Etiópia, Uzbequistão e Nepal crescerão 8%, 7% e 6% respectivamente em 2017.

Porém, precisamos olhar a metade do copo cheio.

O país está atravessando um momento político muito complexo com alta desconfiança nos governantes e instâncias públicas de investigação trabalhando como nunca para amedrontar, impedir e prender uma gang enorme envolvida com corrupção nas mais diversas esferas de poder que temos Brasil afora.

Nossa crise, que iniciou mais tímida em 2013, se fortaleceu no final de 2014 e foi dura demais em 2015 e 2016, parece, enfim, mostrar uma luz ao fim do túnel.

As contas públicas não vão bem, sabemos.

Os déficits acompanham os números políticos há anos, mas mesmo que não tenhamos os melhores profissionais cuidando dos casos, o mercado parece responder positivamente a cada nova investigação da lava-jato e mostrando aos figurões Michel Temer, Lula, Serra, Aécio, Dilma, Renan, Cunha, Cabral, empresários, empreiteiros,  e outros caciques, que ninguém é tão poderoso que não possa ser atingido.

Sinal pequeno, mas mostra que enquanto país estamos amadurecendo aos poucos.

O mercado responde ainda melhor quando os itens polêmicos como reforma da previdência, trabalhista e política são colocados em pauta.

É claro que as coisas não acontecem no tempo que queremos e com a velocidade que desejamos.

Mas, pela má qualidade dos parlamentares que temos, observar o debate acontecer e a mídia fazendo seu papel de cobrar, investigar e dar “nome aos bois”, até que nos entusiasma em ver algum avanço e sentir que tudo que antes era velado está ficando mais transparente.

Por mais que temos, no momento, um cenário político para 2018 indefinido, sem candidatos certos e novas opções surgindo, não podemos perder o otimismo de continuar a promover evoluções pontuais.

São eles, os pequenos avanços,  que  trarão dias melhores e esperança para os empregados, desempregados e empregadores deste país.

É o que esperamos, no mínimo, da classe política já tão desgastada e desacreditada.

Antonio Gelfusa Junior é editor-responsável do SP Jornal.

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