Nem tudo são flores!

Nem tudo são flores!

Na última semana um episódio chamou atenção da mídia em São Paulo: o fato do prefeito João Dória ter jogado no chão uma flor dada por uma ciclista como forma de manifestação em relação ao aumento da velocidade nas marginais.

No dia seguinte, em uma inauguração de obra, o prefeito disse que não aceitaria este tipo de manifestação desrespeitosa e interpretou como um ato petista.

Como já foi apresentado diversas vezes pela mídia e pelas estatísticas na cidade de São Paulo, a redução da velocidade nas marginais – ação já realizada pelo Prefeito Kassab e posteriormente pelo prefeito Haddad, ambos em suas gestões –, surtiu efeitos positivos no trânsito já caótico da cidade.

No último ano, com a ação de Haddad, mesmo o trânsito com aparência de estar mais devagar, os acidentes aconteciam menos, e, conseqüentemente, a velocidade média nas pistas aumentava assim como o tempo de travessia que diminuía.

Isso foi estatístico, até mesmo o Estado de São Paulo, governado pelo PSDB, reconhecia a melhora dos índices nos comunicados dos órgãos competentes.

Sem falar também no esvaziamento dos leitos hospitalares. A redução da velocidade na cidade fazia com que os acidentes não fossem tão graves e isso liberava 60 leitos por dia. Do ponto de vista da saúde pública e humanização do trânsito, Haddad acertou em cheio em sua gestão com as medidas.

O que pegou mal ao anterior prefeito foi a dedicação exclusiva para pegar os infratores do trânsito. Todo efetivo municipal esteve nas ruas multando e pouquíssimas ações de educação no trânsito com campanhas de comunicação aconteceram. Todos ficaram indignados com a indústria das multas criada, mesmo sabendo que 5% da população era responsável por 50% das infrações.

Os ciclistas foram desrespeitados durante anos e sem dúvidas viram na gestão de Haddad uma preocupação mínima com a mobilidade e segurança da categoria após a instalação das ciclofaixas. A construção de ciclovias rendeu muita discórdia aos cidadãos pela falta de planejamento adequado em muitos dos pontos onde foram implementadas.

Dória, hoje, compara um livre manifesto, com a entrega de uma flor, a um ato de petistas – como se todos petistas fossem corruptos. Generalizar e rotular não parece razoável quando algo falado vem da boca de um chefe do executivo municipal.

A manifestação da ciclista foi limpa, humana e sem desrespeito. Talvez tenha sido inconveniente, mas não intimidatória como disse Doria.

Algumas manifestações mais polarizadas que pregam ódio e pouca informação como muitas das já organizadas por sindicatos, CUT e MST ou antagônicas aos grupos anteriores como MBL e frentes de direita, estas sim, desrespeitam as classes e o cidadão de modo geral, proferindo alguns discursos vazios muitas vezes patrocinados pelos partidos.

Ainda no final da última semana, um morador de rua foi agredido pela Guarda Civil Metropolitana. Doria, neste caso, agiu bem afastando os agressores e visitando o morador oferecendo-lhe acolhimento e emprego.

Administrar uma cidade como São Paulo não é fácil. É claro que requer jogo de cintura, amparo para todas categorias e o livre direito de se manifestar, quando feito respeitosamente é claro.

Nem tudo são flores na gestão de João Doria.

Antonio Gelfusa Junior é editor responsável do SP Jornal.

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