“O Manchester precisa pulsar”, diz Uyeta

“O Manchester precisa pulsar”, diz Uyeta

Diretor do Centro Esportivo fala sobre as atividades e gestão.

Convidado pelo então Secretário Municipal de Esportes, Celso Jatene, na gestão do ex-prefeito Fernando Haddad, Eduardo Uyeta está na direção do Centro Esportivo Vicente Ítalo Feola – V. Manchester desde janeiro de 2013.

Formado em Engenharia de Produção, construiu carreira profissional no Grupo Philips. Entre 2002 e 2004, assumiu o cargo de Prefeito Regional de Aricanduva, atuando na constituição da Prefeitura Regional.

Nesse período desenvolveu e implantou projetos contra as enchentes da região, como os piscinões, pequenos reservatórios, alteamento de pontes e alargamentos do córrego Aricanduva, além de acompanhar obras habitacionais e ações de urbanização de favelas.

Eduardo falou com a equipe do jornal sobre as atividades oferecidas à comunidade no Centro Esportivo, as gestões de Fernando Haddad e João Doria e explicou como a população pode ajudar o Manchester a “pulsar” cada vez mais, fomentando lazer e esportes aos moradores da região.

Quais as principais funções exercidas pelo administrador do centro esportivo?
Além das atividades administrativas – gestão de funcionários internos e de empresas terceirizadas, zeladoria e manutenção -, cabe ao administrador do clube implantar projetos esportivos e oficinas, buscar parcerias e manter em condições de uso o patrimônio municipal.

Você é um dos poucos nomes que sobreviveram a reestruturação realizada pela nova gestão da Prefeitura. Quais as principais diferenças entre o antigo modelo e o novo? Quais os pontos positivos e negativos de ambos?
No meu caso em particular, foi muito bom ter completado o ciclo do Prefeito Fernando Haddad e agora, em fase inicial, o governo João Dória. Tive a oportunidade de ter o período de quatro anos para trabalhar e implantar o projeto que o Secretário de Esportes me solicitou ao me fazer o convite para dirigir o Centro Esportivo. O projeto de gestão de recuperar as instalações do clube para serem usadas pela comunidade da região.

Encontrei as instalações em estágio de abandono e deteriorado. Na época, o centro esportivo possuía poucos usuários e frequentadores, pois não havia oferta de aulas e atividades esportivas, com necessidades de professores e técnicos no clube. Imperava muito forte também no local, a venda de drogas e permanência de usuários. Em resumo, o local era pouco atrativo para crianças e famílias frequentarem.

A “recuperação”do centro esportivo veio com a reorganização do seu corpo de funcionários, convite a professores de carreira que vieram de outros centros esportivos, implantação de oficinas pela Secretaria de Esportes, parcerias com técnicos e professores da região e obras realizadas com o pessoal interno. Partimos de um cadastro de 150 alunos em 2013 para 2.000 frequentadores semanal, atualmente.

A gestão João Dória se iniciou forte com o trabalho de zeladoria e parceria na cidade. É exatamente o que ele encontrou no Clube Manchester, quando esteve aqui em fevereiro. Mostramos a ele, o trabalho de recuperação realizado, onde foi exaltado a inexistência de vidraças quebradas e de pixação, além das variadas atividades aplicadas para todas as camadas de idade para a população da região.

Posso apontar como ponto negativo para ambos os Prefeitos, a pouca destinação orçamentária para a Pasta do esporte municipal. Temos uma secretaria que absorve menos que 0,4% do Orçamento da Cidade. De modo geral, todos os dirigentes esportivos municipais, estarão em débito com os projetos esportivos necessários para a cidade.

Quais as principais atividades procuradas no centro esportivo?
Atualmente toda grade de atividade do clube é bem procurada. Temos em torno de mil pessoas adultas nas aulas de ginásticas, alongamentos, yoga, pilates, tai chinchuan, rítmos, danças, hidroginástica, etc. Temos praticamente “casa cheia” nas aulas de voleibol – jovens e adultos, basquetebol, futsal, caratê, capoeira, muaythai, ballet, jazz, judô, etc. Temos modalidades consideradas especiais, do “tipo que só aqui tem”, como a capoeira para jovens deficientes, voleibol para idosos, futebol de campo feminino, etc. E parte recreativa, como as quadras abertas, o playground para crianças, a sala de ginástica ao ar livre e principalmente as piscinas, no verão.

Alguns moradores e usuários do centro relataram demora nas ações de zeladoria nas instalações do equipamento, como poda, manutenção de calçadas, limpeza dos espaços. Quais providencias estão sendo tomadas pela administração do clube?
Acredito que essas reclamações ocorriam principalmente antes da nossa intervenção. A zeladoria e manutenção é a preocupação maior da administração do Manchester. Apesar das instalações serem antigas – clube tem 60 anos – ela está em condições de uso, pela limpeza e segurança no local. Claro que há muita coisa para fazer, como a renovação das calçadas, recapeamento e mudança da iluminação. Porém, de maneira geral, o clube atualmente está em perfeitas condições de uso. Interditamos para uso apenas a piscina semi-olímpica que carece de obras de reforma e segurança; porém, o seu tratamento é contínuo e importante na reciclagem da água das duas outras piscinas em uso.

Com base na sua experiência, qual o impacto que um espaço como o Centro Esportivo Vicente Ítalo Feola tem para a comunidade local?
O desejo de todos os funcionários do clube é que o Manchester precisa pulsar na região. Queremos dizer com isso, que o equipamento esportivo tem que participar da região e não só funcionar. E isso tem sido a mudança de postura de todos no clube. Acreditamos que boa parte da comunidade “vê com bons olhos” o clube municipal atualmente. O grande número de jovens e crianças, conciliando com o respeito aos idosos que frequentam o clube é sinal de que estamos no caminho certo.

A largada da primeira corrida beneficente do Carrão, “Mobilize-se”, foi dada nas imediações do centro esportivo. Foi notado algum tipo de depredação ou vandalismo por parte dos participantes após o término do evento?
A parceria foi bem elaborada e não houve problemas nenhum de depredação e vandalismo no equipamento. Mérito total da organização do evento, da qual fizemos parte. “Pulsar” na região é contribuir com projetos como esse do Rotary e da Creche Benção da Paz. É também “abrigar” eventos grandiosos como o Festival Okinawa, da colônia japonesa, assim como, vários outros pequenos projetos de grupos de escoteiros e entidades esportivas da região.

Como a comunidade, moradores e usuários, pode ajudar a manter e melhorar as condições do clube?
Participando das atividades esportivas do clube é uma boa maneira, pois assim estará ocupando um equipamento municipal que é dela. Ajudar a cuidar do Manchester faz parte dessa participação. Temos, por exemplo, um grupo de senhoras que fazem o plantio e zeladoria de várias plantas, arbustos e árvores do clube. Vários pais de alunos contribuem com o seu trabalho voluntário na manutenção e no fornecimento de materiais esportivos. Outro grande exemplo, foi a pintura do gradil que circunda o centro esportivo, praticamente um quilômetro de grade pintadas por funcionários e voluntários em mutirão “Eu também Cuido”.

Reportagem: Barbara Novaes. Foto: Julio Gomes

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