O presidenciável João Doria

O presidenciável João Doria

João Doria ou Geraldo Alckmin: Quem disputa as eleições 2018?

João Doria, atual prefeito de São Paulo, em campanha para eleição em 2016, disse que não seria candidato à presidência da república.

Quando questionado sobre o assunto o mesmo respondia entusiasmado: “fui eleito para ser prefeito, então eu vou “prefeitar”.

José Serra, político do mesmo partido, o PSDB, em campanha no ano de 2004, disse que seria prefeito durante 4 anos. Entretanto, em 2006, deixou a prefeitura para se candidatar ao Governo de SP.

Só depois de algumas eleições, muitas críticas e índices altos de rejeição por voltar atrás em sua palavra, é que Serra passou a afirmar que tomou esta atitude na época para que o Governo de SP não corresse o risco de cair nas mãos do PT.

É irônico. Como se somente o PT fosse o símbolo máximo da corrupção e o PSDB fosse algum “Olímpo” da honestidade política. Como se 20 anos do PSDB no Governo de SP tivesse trazido somente avanços para o Estado.

João Doria, assim como políticos em geral, tem avançado em algumas ações de sua gestão e em outras ainda tem dificuldade ou mesmo sérios problemas em resolver.

Exemplo bom é o fato das filas de exames serem zeradas em São Paulo. Mérito importante da recente gestão. Exemplo ruim são os serviços de zeladoria na cidade. Nunca o aspecto de abandono com buracos e falta de manutenção foi tão grande.

Doria ainda é novo no processo. Suas estratégias digitais são boas e o aproxima da população de São Paulo e de seus eleitores. Sem dúvidas uma comunicação alinhada ajuda o político a governar reforçando a opinião pública a seu favor.

Porém, Doria está há quase 10 meses como prefeito. Será que é momento de abandonar o barco?

Para quem é a favor de sua candidatura ao cargo de presidente, a justificativa é o fato de que temos poucas opções de “outsiders”, ou seja, figuras que não sejam do jogo político tradicional.  Ao mesmo tempo, quem defende sua postulação, acredita que não usar verba de partido e contar com investimento próprio também ajuda ao processo estar mais velado.

Quem é contra sua candidatura ainda acha que o político tem muito a mostrar. Na opinião de quem é contra, Doria ainda não é uma realidade no cenário político, está em avaliação e também porque deu sua palavra que terminaria o mandato.

Para embolar ainda mais este “diz que me diz”, nesta semana, o ex-vice-governador de São Paulo Alberto Goldman, do grupo de José Serra, gravou um vídeo fazendo duras críticas ao prefeito. Acusou-o de estar longe da cidade de São Paulo enquanto a metrópole sofre com diversos problemas de saúde e gestão, principalmente nas periferias.

João Doria, que em seguida respondeu, chamou Goldman de fracassado e sombra de Quércia e José Serra.

Doria lembrou ainda que Goldman já havia entrado na justiça contra ele no período em que disputou e perdeu as prévias do partido.  Doria cita o episódio no vídeo e ainda afirma que Goldman vive de pijama em casa.

Por essas e outras é que a imprensa tem ficado em cima do prefeito. Seu nome tem sido ventilado como candidato à presidência da república com certa frequência.

Até em pesquisa eleitoral tem aparecido.

Como as opções são poucas e o cenário está indefinido por conta da lavajato, até mesmo um constrangimento com Geraldo Alckmin – seu padrinho político e pretenso candidato a presidente –, acabou por criar com suas declarações.

O ataque de Alberto Goldman mostra que a briga pela eleição presidencial começou faz muito tempo. Talvez já em 2016.

Será que Doria abandonar a prefeitura será uma oportunidade para atender ao anseio popular dos brasileiros ou será um tiro no pé de alguém que prometeu não fazê-lo?

Antonio Gelfusa Junior é editor-responsável do SP Jornal.

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