ONG no Belém realiza neutralização de carbono

ONG no Belém realiza neutralização de carbono

Há 26 anos, Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN) realiza a neutralização de carbono
Técnica tem o objetivo de mitigar os impactos ambientais

A discussão sobre o aquecimento global e o desenvolvimento sustentável está cada vez mais em pauta na sociedade. Segundo estudo realizado pelo Instituto Totum e pela Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), a cada 163,14 kg de carbono emitidos na atmosfera é necessário plantar 1 árvore, que levará 20 anos para reparar o dano causado.

Enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rompe com o Acordo de Paris sobre mudanças climáticas, empresas de todo o mundo buscam maneiras para reduzir as emissões de Gases do Efeito Estufa (GEEs).

Uma das alternativas mais utilizadas nos últimos anos é a neutralização de carbono. A técnica busca reduzir e equilibrar os impactos causados pela emissão do CO2.

Cálculo de Emissão de Carbono

O primeiro passo para que a neutralização seja realizada é calcular a quantidade de gases emitidos. Hoje, já é possível determinar quanto gás poluente é gerado por uma pessoa física, empresa, governo, evento, entre outros.

Para pessoa física, calculadoras de CO2 online estão disponíveis. Uma das mais utilizadas é a calculadora da ONG Iniciativa Verde (http://www.iniciativaverde.org.br/calculadora/).

Por meio das informações de hábitos de consumo cedidas pelos indivíduos, o software calcula a pegada de carbono pessoal ou a estimativa de emissão de CO2 gerada pela pessoa anualmente e a quantidade de árvores que ela deverá plantar para mitigar os impactos que causa no meio ambiente.

Já no caso de empresas, existem instituições especializadas na técnica de neutralização de carbono. Entre elas, está o Instituto Brasileiro de Defesa da Natureza (IBDN), localizado no Belém, bairro da zona leste.

A ONG realiza complexos cálculos que resultam em um Inventário de Carbono. Esse levantamento se baseia em parâmetros, fórmulas e metodologias estipuladas pela Organização das Nações Unidas (ONU).

“Temos uma calculadora de carbono que cruza os dados aferidos nas empresas. Ela utiliza os mesmos padrões do Painel Intergovernamental de Mudanças Climática (IPCC) e os dados são do GHG procol Brasil.”, explica Rogério Iório, presidente do IBDN.

Inventário e reflorestamento

Após a elaboração do inventário, as áreas que geram maior taxa de poluição dentro das organizações são identificadas. Dessa forma, intervenções para mitigar a emissão dos gases são aplicadas em pontos estratégicos.

Com base nos dados coletados, as empresas podem realizar ações simples. Desde utilizar energia limpa, matérias primas 100% recicláveis ou implementar um sistema de reutilização de água.

O inventário também destaca a quantidade de carbono gerada pelas atividades da empresa e o número estimado de árvores a serem plantadas que sequestrarão este CO2 durante seu crescimento.

Além de calcular a emissão e a quantidade de árvores necessárias para mitigar o impacto causado pela produção de CO2 na atmosfera, o IBDN também fica responsável pelo plantio e reflorestamento das árvores.

“Com o plantio de mudas, a neutralização de carbono recupera áreas degradadas, protege nascentes, leitos dos rios, preserva a fauna e promove a melhoria da qualidade de vida das populações do entorno.”, esclarece o presidente.

Créditos de Carbono

Além do plantio de árvores, existem outras maneiras de realizar a neutralização. “Ela pode ser feita através de compra de créditos de carbono, no mercado voluntário. Mas, o IBDN adotou o plantio de árvores, porque realizamos a neutralização e a recuperação das áreas degradas.”, enfatiza Rogério.

Após a realização do inventário, a cada 1 tonelada de CO2 gerada é necessária a compra de 1 crédito. Empresas que conseguem diminuir a emissão de GEEs obtém esses créditos, que podem ser comercializados.

Em geral, estes créditos são adquiridos por empresas estrangeiras. De acordo com o Protocolo de Quioto, elas possuem obrigações para reduzir as emissões, porém não atingem a cota determinada.

Assim, empresas que poluem acima do permitido acabam pagando pela poluição adicional, adquirindo os créditos das empresas que reduziram o impacto de suas atividades.

“A empresa que pretende neutralizar suas emissões deve pagar os estudos de cálculo, o plantio e a manutenção das árvores plantadas por dois anos.”, informa Iório. No entanto, além de preservar o meio ambiente, investir em sustentabilidade gera diversos benefícios para a empresa como redução dos custos, independência de recursos naturais não renováveis e até mesmo influência no momento da decisão de compra do consumidor.

Empresas e pessoas interessadas em aplicar a técnica de neutralização de carbono podem obter mais informações diretamente com o IBDN pelo telefone (11) 3532-0163 ou e-mail contato@ibdn.org.br.

Reportagem: Da redação. Foto: Divulgação.

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