Precisamos de novos líderes

Precisamos de novos líderes

Não é de hoje que o brasileiro está cansado de votar nos mesmos.

A exemplo disso é ver, em todo pleito eleitoral, sempre as mesmas opções ocuparem cargos no executivo e legislativo.

A grande mídia já fala deles todos os dias.Nem é preciso colocar os nomes das figuras por aqui.

Em um momento tão delicado e de necessário amadurecimento de nossa história política, estamos observando, há mais de 3 anos, o cerco à corrupção se fechar aos nomes envolvidos em escândalos, no caso não só políticos, mas também empreiteiros e empresários, que além de investigados também estão sendo presos.

Com todo este cenário, fica muito claro ao brasileiro que hoje é preciso sim de novos líderes.

Os nomes de sempre não agradam. Mesmo que o político nunca tenha disputado um pleito a governador ou a presidente, o fato é que se o fulano já foi um deputado, vereador ou teve outras ocupações no segmento, já é motivo para ter rejeição por parte da população.

Veja o exemplo de João Doria.

Neste espaço editorial já o criticamos e elogiamos. Sinceramente, ainda é cedo para dizer que está tudo bom ou está tudo ruim. É importante esperar para analisar a entrega de suas propostas.

Mas a análise interessante a se fazer é que trata-se sim de uma nova opção política. Ele era do ambiente empresarial e a carência de novos líderes o motivou a entrar. Independente de seu forte marketing eleitoral e recursos financeiros, Doria ter ganho uma eleição em São Paulo com mais de 50% dos votos válidos nos apresenta números fartos sobre o quanto a população está receptiva a novos nomes e novas opções. Mesmo sabendo que nulos, brancos e abstenções juntos somavam mais votos do que o total de João Doria.

Com tanta desilusão, hoje quando alguém diz não ter experiência na política na verdade trata-se de um grande diferencial.

Nesta edição do Jornal de Vila Carrão, fizemos uma entrevista com Henrique Valêncio (página 3), secretário do Centro Espírita Benção de Paz, localizado na Vila Carrão, zona leste. Hoje, além de importante líder religioso é visto também como líder de sua comunidade no bairro e seu nome foi um dos indicados para assumir a prefeitura regional no início deste ano.

Independente de sua aceitação ou não ao cargo, o fato da população do bairro começar a indicar profissionais gabaritados e com o respeito local é sim um grande passo. E sem dúvidas isso é preciso se estender para outras esferas, equipamentos públicos e cargos políticos em geral.

Tem muita gente boa nas regiões de São Paulo que desempenham papéis importantes em seus redutos religiosos, sociais, enfim, e têm, na maioria dos casos, experiência empresarial e de vida. Todos eles com um enorme diferencial em relação aos demais: senso de urgência e clara velocidade em entregar tarefas com rapidez e redução de burocracia.

Na verdade, a grande diferença do ambiente público para o privado é justamente essa: a demora na execução de algo. Se tem gestão pública no meio a entrega demora 2 anos. Se tem gestão privada no meio a demora não passa de 6 meses.

Independente de questões partidárias, mais do que nunca, precisamos de renovação.

É muito saudável para democracia trocar de governo, não reeleger vereador ou deputado – muito menos prefeitos, governadores e presidentes – além de ser preciso e necessário a indicação de novos e reais líderes e gestores das regiões onde atuam.

Esse é sim um caminho coerente para o amadurecimento de nossos espaços públicos e de suas administrações.

Antonio Gelfusa Junior é editor-responsável do SP Jornal.

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