São Paulo sem comunicação

São Paulo sem comunicação

Comunicação é uma das principais dificuldades das últimas gestões em São Paulo

Muitos sabem a importância que a comunicação tem no desenvolvimento de uma sociedade, de uma empresa e naturalmente de um indivíduo.

São Paulo, maior cidade do país, pulsa nos mais diversos projetos, da gastronomia aos investimentos imobiliários, da causa animal ao entretenimento, do ambiente privado ao da gestão pública.

A comunicação, que pode acontecer de maneira escrita, falada ou gestual, usando meios como a fala, sinais, televisão, rádio, jornal entre tantos outros, serve à população para informar sobre uma vaga de emprego, ensinar a prevenir uma doença, maneiras de melhorar seu currículo, como resgatar seu FGTS, como cuidar do seu animal de estimação no verão, entre tantas outras pautas e assuntos possíveis.

No ambiente público, em São Paulo, sem dúvidas a comunicação tem sido a principal dificuldade dos últimos gestores.

Fernando Haddad não deu importância a esta área vital. Após perder a eleição, reconheceu que graves falhas de comunicação aconteceram no percurso de seus projetos.

Veja o caso da redução da velocidade. Haddad reduziu a velocidade das marginais com o intuito de diminuir os acidentes de trânsito e/ou não torná-los fatais. A ação realmente atingiu os resultados esperados, até leitos de hospitais deixaram de ser ocupados por dia – cerca de 60. A velocidade média na cidade também aumentou. Menos acidentes, menos trânsito parado, consequentemente aumento da velocidade média. Perfeito? Não!

O problema é que o prefeito não ouviu a população antes de implantar. Na verdade não foi sensível  ao processo. Antes de repreender é preciso educar. E isso não ocorreu.

Esperava-se de Haddad, em sua época, uma campanha de comunicação adequada que avisasse a população da redução antes das multas começarem a ser praticadas.

Mesmo sabendo que 60% das multas da cidade são tomadas por 5% da população, é importante lembrar que a mudança foi realizada na calada da noite. A surpresa dos cidadãos paulistanos, alguns deles aproveitando as férias de meio de ano em outras cidades, é que foram recebidos em seus retornos com multas e é claro que ninguém gostou.

João Doria, atual prefeito, embora midiático e articulado com palavras e auto declarado “outsider” ou seja, “não político”, usa bem seus canais de comunicação como o facebook, por exemplo.Tem costume de postar suas reuniões, selfies, discursos, entre tantas outras ações.

Entretanto, sua comunicação interna, mesmo que recente, nunca foi tão questionada.

Na última semana, seu chefe de gabinete Luca Tavares, foi demitido após um áudio vazado em reunião interna onde falava abertamente que a cidade estava um “queijo suiço” de tão esburacada. Disse ainda que iria dificultar a atividade dos jornalistas no que pudesse. Os jornalistas referidos estavam montando reportagens sobre os problemas graves de manutenção na cidade.

Zeladoria realmente tem sido um dos assuntos mais abordados pelas emissoras de TV, rádios, jornais de bairro, perfis de rede social e somente depois de 11 meses de gestão veio a constatação.

E infelizmente a constatação foi coroada com um áudio desagradável proferido por um servidor público.

Os números de Doria ainda são novos, mas a desculpa de que a gestão é nova e há herança ruim de antecessores será menos aceita a cada minuto que passar.

Nossos parques, praças e calçadas nunca foram tão negligenciados.

O que não condiz em nada com a propaganda intitulada “Cidade Linda”.

Antonio Gelfusa Junior é editor-responsável do SP Jornal.

Nenhum Comentário