Qual é o segredo das pessoas saudáveis?

Se você mora no Japão, provavelmente está se sentindo muito bem. A qualidade da saúde no país é classificada como a número um do mundo, de acordo com um estudo de décadas financiado pela Fundação Bill e Melinda Gates. Se você mora nos EUA, a história é diferente, e não faz tão bem.

A pontuação da saúde dos EUA classifica o país perto dos últimos. Onde a nação sobe para o topo é em dinheiro gasto com cuidados de saúde – bilhões de dólares a mais do que qualquer outro país.

Os leitores do estudo global naturalmente querem saber o segredo do sucesso do Japão. Mas, infelizmente, ninguém sabe ao certo. Alguns especialistas chegam ao ponto de dizer que é uma combinação de fatores, mas ninguém tem mais certeza que isso.

Como me interesso pelas tendências em cuidados de saúde ao redor do mundo, eu queria saber mais, então decidi fazer a minha própria pesquisa informal.

Viajando recentemente para Tóquio a negócios, perguntei a vários conhecidos japoneses sobre suas práticas de cuidados em saúde e seus estilos de vida, para ver se eu conseguia alguma dica sobre o que está por trás da classificação extraordinária.

Com uma exceção, as respostas seguiram em todas as direções. Eles deram crédito a tudo, desde práticas alimentares rigorosas até a rede de segurança que sentem tendo um forte apoio social e da família em suas vidas, sendo parte de uma cultura que se mantém próxima à tradição e é seletiva sobre o que aceita dos valores e da medicina ocidental.

Mas houve uma reação comum que me pegou de surpresa.

Eles encararam a classificação superior em saúde como algo normal. Eles ficaram confusos com o fato de um estilo de vida tão rotineiro quanto o deles pudesse ser visto por alguém como extraordinário. O consenso é que a boa saúde é normal, não excepcional, então qual é o problema?

O problema pode ser este: que, em contraste, o resto de nós luta para pensar na saúde como normal.

Mentes e corpos saudáveis não são muito discutidos nos EUA. Uma razão para isso é a medicalização da sociedade, de acordo com Dr. Arthur J. Barsky, professor de psiquiatria da Harvard Medical School [Faculdade de Medicina de Harvard]. Em seu livro Worried Sick [Doente de Preocupação], afirma: “Nós parecemos incapazes de desfrutar de nossa boa saúde, de traduzi-la em sentimentos de bem-estar e segurança física. Em vez disso, há uma sensação de doença no ar.”

Se toda a conversa sobre doença e risco, sobre ter medo e estar em perigo fosse apenas isso – conversa -, poderia ser exagero dizer que esse é um problema sério. O fato é que o medo excessivo e a preocupação com problemas de saúde não são irrelevantes. Preocupação crônica é prejudicial.
O que estamos vendo hoje nos EUA é um padrão invasivo de vidas mais curtas e saúde mais pobre, relata um painel de especialistas convocados pelo National Research Council [Conselho Nacional de Pesquisa]. Ninguém quer chamar esse padrão de normal, mas estaríamos começando a pensar que ele é?

Alguns de meus conhecidos no Japão levantaram a questão de que buscas espirituais são uma parte normal de suas vidas ocupadas, e isso não deve ser marginalizado como fator contribuinte. Uma pessoa com quem falei era o CEO de uma empresa internacional, outra era um planejador estratégico, e outra era uma mãe ativa.

Suas agendas eram cheias, mas eles disseram que rotineiramente dedicavam parte de seus dias à oração e ao estudo espiritual. Eles se esforçavam para ser amáveis e piedosos, calmos e pacientes. Uma mulher falou abertamente sobre ter se rebelado contra o medo da doença e sobre os sintomas terem diminuído rapidamente até que sua saúde foi restaurada.

Alguém que estivesse escutando, e morasse nos EUA, acharia que a conversa com esse grupo era mais notável pelo que não se dizia do que por aquilo que se falou. Eles não eram fascinados por um modelo de vida fundamentado na doença. Ao contrário, eles abraçavam naturalmente a saúde e a espiritualidade, e pareciam estar em paz com tudo isso.

O quanto o ponto de vista desse grupo é típico da sociedade japonesa, eu não poderia dizer. O que eu vi acontecendo nas vidas deles sugere que é bom viver livre do estado de espírito centrado na doença e na ansiedade, como se essas fossem condições inevitáveis. Aprenda com os japoneses que essas condições são evitáveis.

Então, qual é o segredo? Não existe um único segredo. Um estado de espírito saudável não é apenas bom para a mente e o corpo, mas normal para ambos.

russ

Russ Gerber é praticista, professor de Ciência Cristã e responsável por relações com a mídia e o governo em Boston, EUA e colunista do portal SP Jornal.

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