O incrível Dr. Pet em entrevista

Famoso zootecnista conta todos os detalhes da sua profissão.

Aos seis anos de idade, Alexandre Rossi ensinou os peixes do seu aquário a passar por argolas e a tocar pequenos sinos na hora de comer. Hoje, é formado em zootecnia e conhecido como Dr. Pet. Ao lado da esperta cadela Estopinha, comanda o programa Missão Pet, transmitido aos sábados, às 22h15, pelo canal por assinatura National Geographic.

Na entrevista abaixo, Dr. Pet fala sobre como surgiu o interesse pelos animais, o início da carreira, o trabalho nas áreas sociais e tudo sobre o adestramento de animais. Confira:

De onde surgiu o interesse por animais?
Eu nem me lembro, era muito pequeno. Com 6 anos de idade, aprendi fazer adestramento de peixes no aquário do meu quarto. Minha mãe é bióloga e meu pai psicanalista, dessa forma falam que eu acabei ajuntando as duas coisas. Me formei em zootecnia.

Existe diferença no treinamento de animais para filmes e propagandas? Conte-nos essa experiência.
Filme e propaganda é o mesmo treino. A diferença de um treinamento normal são os prazos e a pressão. Mas como eu trabalho com reforço positivo e os bichos aprendem curtindo, se há uma grande pressão ele acaba nem sentindo pois pra ele é uma brincadeira. Dessa forma, verificamos se o petisco o agrada, se não temos que mudar a estratégia e o petisco para que ele obedeça. A prisão é mais sobre quem esta trabalhando e nunca com o animal, pois ele não sabe o que esta se passando e ele tem que se sentir muito bem para que ele possa atuar. É muito importante, quando há diária longa, haver dublês, para que um descanse e o outro fique brincando.

Com mais de 9 livros publicados, como surgiu a ideia dos temas abordados para cada livro?
Uma parcela deles foram livros falando sobre cada raça de cães, abordando assim, as raças mais comuns. Houve alguns com temas de cães, gatos, e um específico para crianças.

Qual animal você mais gosta de treinar e ter contato?
Eu gostei muito de trabalhar com o hipopótamo. Trabalhar com hipopótamo e elefante é muito difícil, mas eu gosto sempre dos desafios. O meu objetivo quando trabalhei com esses dois animais foi desenvolver técnicas para tratamento de veterinários, para eles terem melhor diagnóstico e os criadores não correrem risco de vida. São animais muito inteligentes.

Você já teve a experiência com chimpanzés? Como é treiná-los?
Chimpanzé é curioso e muito inteligente. As vezes você não entende quem treina quem, mas ao mesmo tempo eles são muito temperamentais. Me lembro que eu estava com um saco de comida e ele agarrou o saco e não largava. Ele fingia que nem estava olhando pra mim, mas estava óbvio que estava olhando para mim. Fingi que estava olhando algo no céu assustado e nisso ele olhou e soltou. Quando percebeu que era um golpe ficou muito bravo. É esse o tipo de inteligência que eles têm. A impressão que deu foi que ele se sentiu enganado e ficou muito raiva de mim, gritando e batendo em tudo, mas depois voltamos a ser amigos.

Em Nova Iorque, nos Estados Unidos, você teve algumas experiências em treinamentos com cães-guia para portadores de deficiência visual, auditiva e física. Como foi treiná-los?
O treinamento é dividido em duas partes. A primeira é o comportamento normal, que cada cão tem que ter. O segundo, seria desviar de obstáculos. O interessante é que se chama desobediência inteligente. Ele tem que obedecer o que o cego diz a ele, mas desobedecer quando o cego pede algo que o coloca sua segurança em risco.

Como foi desenvolver treinamentos para os animais selvagens na Amazônia?
Eu treinei animais para o filme “Tainá 2”. Nesse filme, o cachorro tinha que ficar sentado em cima de uma flor vitória régia. Na cena, alguns jacarés entravam, só que eu estava embaixo da água segurando o fôlego. Nisso eles passam do meu lado… Tinha que sair depressa quando os câmeras batiam forte na água me dando o sinal para poder sair. Na época eu tinha um bom fôlego, mas hoje não sei se ficaria todo aquele tempo. Ainda bem que não encontrei nenhum jacaré lá embaixo.

Como a cadela “Estopinha” surgiu em sua vida? Eu me separei da minha ex-esposa e tínhamos uma cachorrinha. Devido a separação, ficamos com a guarda compartilhada, mas acabei percebendo que isso judia do animal, então resolvi adotar uma cadelinha que já não fosse filhote e vira lata, que fosse bagunceira, hiperativa e tivesse passado por problemas. Acabei encontrando a Estopinha, que com sua hiperatividade, acabou dando esperanças aos donos que possuem animais bagunceiros. Foi uma decisão racional, pois pensei nos inúmeros cães que poderia ajudar. A maior parte dos cães para adoção não são filhotes e não tem raça, dessa forma, quis ser um exemplo e incentivar as pessoas na adoção.

Com mais de 50 mil seguidores na rede social Facebook, a Estopinha se tornou um ícone muito forte nas redes sociais. Como você lida com isso e quem monitora seu blog e o Facebook?
Quem monitora é a Carolina. Ela é jornalista e escreve coisinhas engraçadas e simpáticas. As vezes alguma tirinha, mas é puro entretenimento e diversão. Damos dicas e bastante conscientização no site.

Como surgiu a ideia de atuar em alguns quadros de TV na Record e SBT?
Recebi um convite da Luiza Mel (Late Show – Rede TV) e trabalhamos juntos. A partir daí fui recebendo convites.

Qual seu sentimento de poder ajudar famílias e seus animais de estimação no programa Missão Pet, do National Geografic?
É muito gratificante. Conforme você vai ficando famoso, seu tempo fica bem mais restrito e normalmente o preço sobe. Você percebe que só se atende uma parcela da elite quando tem muitas pessoas que não podem pagar e eu gostaria muito de ajudar. A TV proporciona isso tudo praticamente de graça.

Como funciona o projeto “Cão Cidadão”, no qual participa?
A “Cão Cidadão” é uma empresa onde sou o presidente. Ela apóia vários trabalhos voluntários que me fazem ter orgulho de estar envolvido, como a “Pet Terapia”, “Educar cães em abrigos”, promover o “Não Abandono” através da educação e o serviço de “Adestramento e Consulta de Comportamento” que eu sou voluntário.

Com funciona a técnica do “Cão Terapeuta” no projeto “Cão Cidadão”?
É uma técnica e um projeto. A “Cão Cidadão” começou disso, se tornando uma empresa, e hoje o projeto é coordenado por uma franquiada, a “Cão Cidadão”, que consiste em levar os cachorros para brincar com as crianças que precisam de atenção, carinho, interação. Principalmente com crianças, mas o projeto abrange os adultos com deficiências físicas e metal.

Como podemos participar e adquirir o serviço do “Cão Cidadão”?
Através do site www.caocidadao.com.br ou pelos telefones (11) 3571-8138 e (11 ) 7814-2633 .

Recentemente, você iniciou um novo projeto com a empresa Bayer. Podemos saber em primeira mão alguma coisa e do que se trata?
Sim. Consiste em um trabalho para educar crianças a tratarem melhor seus animais, como se aproximar, fazer carinho em um cão evitando mordidas, para não assustar e colocar o cão em uma situação desagradável e também saber alguns cuidados com o animal.

Quais são seus novos projetos para 2014?
Pretendo crescer com a “Cão Cidadão”, para ajudar mais famílias a conviver melhor com seus animais, e quero continuar na National Geografic, no SBT (Programa da Eliana) e na Rádio Band News FM, ou seja, fazendo o que eu gosto.

Qual a sua recompensa em saber que seu trabalho vai além de ajudar famílias com seus animais domésticos?
Fico contente em ajudar os animais e as pessoas. Tem gente que gosta de bichos e não das pessoas. No meu caso, também gosto das pessoas, pois também somos animais muito interessantes, porque temos condições de sobreviver e ao mesmo tempo cuidar das outras espécies. Eu quero fazer parte da solução no sentido de trazer mais pessoas para o lado de cuidar bem dos animais tendo uma vida mais agradável por conta disso.

Muitas pessoas que estão lendo sua entrevista provavelmente tem algum tipo de problema com seus animais domésticos. Poderia deixar alguma dica?
Uma coisa que eu sempre digo é procurar enxergar o que o animal faz de certo e recompensar isso, porque é natural das pessoas sempre punirem o errado. Punir uma coisa errada pode funcionar, mas ensinar uma coisa certa vai funcionar até melhor, e criando assim uma relação melhor com seu animal. Tem que haver um equilíbrio entre o certo e o dar uma bronca em um comportamento errado.

Para fechar nossa entrevista, quais os canais que podemos seguir seus projetos?
Através do site www.caocidadao.com.br.

Entrevista: Rita Gabriele Zuini. Foto: Regina Motta.

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