As denúncias feitas por profissionais da Siemens, nas últimas semanas, sobre a possível existência de um cartel nas licitações dos transportes no Estado de São Paulo e de Brasília não surpreendem a população. Infelizmente.
Já é costumeira as reportagens na imprensa que profissionais de diversos segmentos comerciais que, quando se relacionam com o meio político, levam ou transmitem vantagens entre si.
Um dos motivos das manifestações por todo Brasil foi esse: a rotina de corrupção que se mostra todos os dias.
Desta vez, a central da corrupção estaria na alta cúpula do Metrô e da CPTM de São Paulo. As repartições teriam, juntas, permitido um rombo no orçamento no Estado fora do comum. Mas de comum a corrupção não tem nada. Aliás, não deveria ser comum.
O governo do Estado de São Paulo, através de Geraldo Alckmin, se diz vítima da situação. Diz que quer ter acesso à documentação de investigação e, caso comprovado, entrar na justiça contra os envolvidos para reaver o dinheiro público.
E isso é que todos os cidadãos de São Paulo esperam.
As investigações se referem a algumas obras e transações realizadas nos governos Mario Covas, Serra e Alckmin.
Mas a grande questão é: será que alguém será punido? De grande, médio ou pequeno escalão?
Lula, de “pé juntos”, cansou de afirmar e proteger seus assessores e confidentes diretos alegando inocência. Até hoje a situação perdura. Mesmo com o envolvimento do Supremo Tribunal de Justiça, não foi possível observar nenhuma condenação e ao menos alguma prisão. Apenas recursos, recorrências a outras instâncias etc.
Dessa vez será que o mais alto escalão de chefes de governo de São Paulo estaria envolvido nesta situação? Seria possível a alta administração dos transportes paulista ter relacionamento (escuso) próximo com a alta administração do Estado?
Difícil de saber. Somente a justiça pode ajudar neste caso.
Enquanto isso a imagem do PSDB e de seus atores vai sendo degradada. Se for comprovada facilitação, o governo atual pecará por corrupção e/ou omissão.
Mas, e se não for comprovada a facilitação ou omissão das administrações? Seria comprovado o jogo de interesses ou artimanha da oposição?
O PT sempre disse que a imprensa e a oposição eram os responsáveis por acusar Dirceu, Genoíno, Delúbio e outros agentes do mensalão.
As duas situações ocorrem frequentemente. Acusações infundadas de oposição e corrupção interna nos governos. Quando interessa, um fala ao contrário do outro.
No Brasil não existe a expressão “não foi comprovado” tal ato em política.
Infelizmente, não existe investigação política que chegue ao final. Não existe punição severa para quem, de fato, facilite ou se aplique como agende de desvio de recursos públicos.
E isso é péssimo. Parte do povo brasileiro, que é ignorante, não sabe em quem acreditar.
A justiça nunca pune ou ao menos consegue punir os agentes corruptores que estão em governos de todos os partidos do Brasil.
A falta de punição permite ao povo acreditar na inocência de um político. Mas muitas vezes permite também acreditar na culpa, que talvez não exista.
A justiça, por ser morosa, lenta e frágil, acaba criando outros sérios problemas, como: a falta de credibilidade nas sentenças, a falta de rigor nas investigações e, principalmente, e pior, a falta de crença de que a política deva ou exista para melhorar a vida das pessoas.











