O resultado da política brasileira de emprego e distribuição de renda é elogiado até no exterior. Estudos da Organização Internacional do Trabalho (OIT), por exemplo, consideram que, na prática, o Brasil vive pleno emprego, situação que deve perdurar até 2020, caso o país mantenha taxa anual de crescimento em torno de 6%.
É importante observar que a expressão “pleno emprego” não significa fim do desemprego. Reflete, sobretudo, que o nível de trabalhadores sem emprego se encontra numa faixa estável. Nesse quadro, quando o trabalhador fica fora do mercado de trabalho, a recolocação não demora mais do que 30 ou 60 dias.
Outro fator que demonstra a proximidade de um cenário de pleno emprego no país é a maior pressão por aumentos salariais, o que já está ocorrendo. Com um detalhe relevante: os aumentos superam índices inflacionários e vão além das faixas de produtividade.
Nas contas do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 93% dos pisos salariais, em diversas categorias profissionais, tiveram reajustes acima da inflação no ano passado.
Cabe assinalar, por outro lado, que o mercado de trabalho, ao ampliar a renda do trabalhador, fez surgir uma sociedade de consumo de massa, com uma nova classe média que consome R$ 881,2 bilhões anuais.
Essa nova classe brasileira é formada por pessoas mais jovens, com maior nível de escolaridade. É um grupo social mais exigente na hora de consumir e no momento de decidir onde investir o seu dinheiro.
Além disso, este novo cidadão, mais consciente, está indo às ruas para manifestar suas reivindicações e, com certeza, depositará seu voto na urna, nas próximas eleições, com maior poder de discernimento.
Nesse momento, é fundamental que o quadro de expansão de emprego e aumento da consciência contemple os mais de 5 mil municípios do interior do país.
Nos últimos anos, grandes montadoras de automóveis e fortes grupos ligados ao agronegócio geraram (e ainda geram) milhares de oportunidades de emprego – como aconteceu no Estado de São Paulo. Entretanto é preciso mais: é importante fomentar e facilitar o incremento de pequenas e médias empresas, sobretudo na área de serviços.
É fundamental pontuar, também, que tanto nas grandes capitais quanto nas cidades do interior, a longo prazo não é suficiente apenas gerar empregos. É necessário qualificar melhor os grupos sociais e, nesse sentido, o treinamento e projetos de educação podem fazer a grande diferença.
José Américo é presidente da Câmara Municipal de São Paulo
Email: joseamercio@camara.sp.gov.br












