Para quem não sabe ou duvida da importância da leitura, basta lembrar que uma das primeiras medidas de regimes ditatoriais é cercear a liberdade de imprensa ou proibir a leitura de obras literárias que levem à reflexão. Ao longo dos séculos, governos totalitários e defensores radicais de dogmas religiosos queimavam livros em praça pública.
O fato é que leitores são cidadãos mais conscientes, com maior poder de discernimento e mais capacitados na hora de defender seu ponto de vista. A leitura expande os horizontes, aumenta o vocabulário e nos torna mais flexíveis para argumentar.
A última grande pesquisa sobre hábito de leitura, empreendida pela Fundação Pró-Livro e pelo Ibope Inteligência, constatou que existem no Brasil atualmente 88 milhões de leitores. Esse número corresponde a 50% da população brasileira com cinco ou mais anos de idade. Outro detalhe relevante: entre os cidadãos leitores, 46% cultivam o hábito de leitura de livros todos os dias.
Esse levantamento, chamado Retratos da Leitura no Brasil (edição de 2012) demonstra, porém, que há cinco anos o número de leitores no país chegava a 95,6 milhões de pessoas. Ou seja, houve significativa retração no quadro de leitores – mesmo em cidades de estados desenvolvidos como São Paulo, Rio de Janeiro ou Paraná.
Há um dado curioso registrado pelos pesquisadores. A queda do número de leitores foi apontada em todas as regiões brasileiras, com exceção do Nordeste, que ganhou 1 milhão de leitores entre 2007 e 2011. Desde 2012, 29% de todos os leitores brasileiros vivem nessa região, contra 25% em 2007.
Na prática, a localidade, com certeza, assiste ao que os mestres de ensino vêm chamando de inclusão cultural. No restante do país, ocorre um fenômeno que se repete nos quatro cantos do mundo: os brasileiros estão cada vez mais trocando o hábito de ler livros (mais jornais, revistas e mesmo textos na internet) por atividades como ver televisão, assistir a filmes em DVD, reunir-se com amigos e família ou navegar na rede de computadores apenas como entretenimento.
Dada a importância real da leitura na formação da cidadania, defendemos que os projetos de educação – desde o ensino fundamental e médio -, nos diversos municípios brasileiros, reforcem junto a pais e alunos a difusão do livro. Afinal de contas, a leitura começa no ambiente familiar e com programas eficientes na rede de ensino terá sequência nas salas de aula.
José Américo é presidente da Câmara Municipal de São Paulo.
Email: joseamercio@camara.sp.gov.br.












