São muitos os fãs deixados. De 40, 30, 20, 10, menos e mais anos de idade.
Roberto Gómez Bolaños, o intérprete de Chaves e Chapolim, morreu recentemente devido a problemas pulmonares que já enfrentava nestes últimos 10 anos. Ele faleceu aos 85 anos.
Os números de Roberto impressionam. Com mais de 300 episódios na emissora mexicana Televisa, os programas Chaves e Chapolim foram dublados para mais de 50 países, entre eles, China, Japão e Grécia, por exemplo.
6 milhões era o número de seguidores na rede social Twitter. Bolaños também foi escritor de 50 filmes e seus programas foram os mais vistos da TV mexicana. Em 3 anos de criação, na década de 70, seus episódios já eram exibidos para toda América Latina.
Roberto Bolaños foi muito a frente de seu tempo. Já na década de 70 produzia textos e promovia efeitos com transparência, sobreposição, iluminação e cenografia avançadas para os padrões da época. Um humor forte, arraigado nas encenações de circo e muitas vezes no cinema mudo de Charlie Chaplin.
A genialidade do roteiro e atuações se concretizava a partir do momento em que não havia personagens centrais no seriado Chaves. Toda a trama distribuía igualmente as cenas entre os atores de forma a uniformizar o enredo e seus bordões. Sr. Madruga, Quico, Chiquinha, Dona Florinda, Dona Clotilde, Sr. Barriga-Nhônho, Prof. Girafales e o próprio Chaves, eram atrações equilibradas no processo. Os mesmos faziam os papéis diferentes nas tramas de Chapolim.
Poucos seriados no mundo foram tão poderosos. Aliás, é impossível lembrar, mesmo no Brasil, qual seriado famoso foi repetido incansavelmente, em diversos horários, durante mais de 30 anos e as pessoas de todas as gerações continuavam a assistir e se divertir. Repetir seus bordões é algo normal até para quem não é fã de seus programas.
Bolaños era conhecido como pequeno Shakespeare, o Chespirito, e ficou amplamente famoso por escrever, atuar e dirigir com primor.
Apesar da doença e seu retiro em Cancún, nunca perdeu o contato com os fãs da América Latina e outros países do mundo via internet. As vezes até pessoalmente recebia alguns fãs.
Fazer humor sem apelação, voltado para crianças e adultos, com poucos recursos, mas utilizando inteligência é algo para poucos. Algo que entrosou muito, com um time épico que marcou gerações e dificilmente será repetido.
Uns dizem que Bolaños, por ser mexicano, só não foi tão conhecido nos EUA por conta de sua nacionalidade.
Porém, se não fosse latino, com certeza o mesmo não teria a mesma história, a mesma graça, ou mesmo a arte de mostrar ao público a simplicidade dos gestos de um menino pobre e ingênuo como Chaves ou mesmo um herói desprovido de inteligência e atrapalhado como Chapolim.
Roberto, certa vez, estava dentro de um ônibus onde fazia uma viagem com outros atores. Foi quando um menino entrou e o viu sentado. O menino simples esticou a mão e deu-lhe seu dinheiro. Disse que era para ele – Chaves, para comprar seu lanche de presunto.
Quando perguntado do porquê de não ter devolvido o dinheiro ao menino, Bolaños afirmou: “Não poderia acabar com o sonho e a pureza do gesto desta criança”.
Vai-se Roberto, mas ficam os personagens e sua genialidade de conhecer a criança dentro de cada uma das pessoas.
Seu parâmetro de humor servirá para muitas gerações.
Antonio Gelfusa Junior é diretor do SP Grupo de Jornais.











