Olhar para o futuro: alguém sempre dá o primeiro passo!

Quando Paulo Maluf e sua gestão como governador construíram as marginais em São Paulo e o Aeroporto em Guarulhos, o que se dizia, é que se tratava de um grande exagero. Diziam que não haveria carros o suficiente para tantas pistas e nem haveria voos que demandassem um tamanho como o terminal em Cumbica.

Corrupção a parte, que sempre marcou a trajetória deste político, o ato de visão era necessário para uma cidade que, naquela época, precisava se preparar para a pujança econômica que chegaria em breve.

Neste momento, em nossa cidade, a gestão do prefeito Fernando Haddad construiu alguns quilômetros de ciclovia e, naturalmente, ganha suas críticas.

Os jornalistas da Rádio Jovem Pan, semana passada, questionaram o prefeito sobre a falta de ciclistas e o trânsito caótico em algumas vias com ciclovias já instaladas.

Será que a situação não é igual quando questionaram Paulo Maluf por não haver carros nas marginais recém-construídas? Ou mesmo no caso do aeroporto?

Outra pergunta possível seria: como iniciar um projeto de transportes limpos, não poluentes, que é uma necessidade em todas as megalópoles do mundo, sem começar a implantar ciclovias?

Alguém precisava começar este trabalho, que, não se surpreenda, já estava na pauta da prefeitura para implantação há muitos anos. Só era preciso esperar que algum político tivesse coragem de enfrentar uma situação impopular, mas necessária como essa.

Maluf enfrentou esta situação com as obras citadas acima. Gilberto Kassab enfrentou quando aprovou a Lei cidade limpa. Marta Suplicy enfrentou quando iniciou o CEU. Geraldo Alckmin enfrenta quando leva metrôs para novas regiões que necessitam de expansão. Lula enfrentou quando ampliou o programa bolsa família. FHC enfrentou quando lançou o plano real.

Toda mudança é difícil, porém, quando acompanha estudos, é preciso ter paciência para avaliar os resultados que, geralmente, só aparecem após alguns anos.

“Você andaria de bicicleta ou mesmo colocaria seu filho na rua sem uma ciclovia?”, perguntou o prefeito aos jornalistas da Jovem Pan. A resposta foi óbvia: claro que não.

É claro também que isso não exime os políticos de que suas gestões sejam investigadas. Seja pela idoneidade dos gastos ou mesmo para a correta escolha dos pontos de implantação.

Porém, sempre haverá motivos de críticas. É exatamente por isso que as pessoas não torcem pelos mesmos times de futebol, não tem a mesma posição política e não têm as mesmas afinidades com programas de televisão e comportamento, por exemplo.

O ideal seria criticar menos, procurar entender mais sobre as necessidades políticas da cidade e acompanhar a evolução do mundo, que, há tempos, não consegue absorver mais a quantidade astronômica de carros e poluição das ruas.

Alguém precisa começar!

Antonio Gelfusa Junior é diretor do SP Grupo de Jornais.

Qual o principal problema no Estado de São Paulo, atualmente?

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