Conscientização, responsabilidade e atitudes. Para que se possa formar um juízo sobre a depressão e suas consequências na sociedade, citamos um trecho da série “Males da Alma”, exibida no programa Fantástico de 17/02/2013, pela rede Globo de TV, onde o Dr. Dráuzio Varela revela que, “no ano de 2030 a depressão será considerada a doença mais incapacitante de todas”.
Nesse contexto, pesquisando os motivos que deprimem as pessoas, constatei uma multiplicidade de sentimentos sufocados e dilacerados. Angústia, medo, ansiedade, estresse, desilusão, insegurança, e uma infinidade de pensamentos sombrios. As causas são diversas, desajustes familiares, problemas profissionais, econômicos, sociais, de ordem afetiva, perda de entes, assim como em casos de disfunções hormonais ou dependência química.
Os sintomas são de desânimo, cansaço, perda ou aumento do apetite, sonolência, tristeza profunda, e no outro extremo, ansiedade, irritabilidade, insônia, e até momentos de euforia, enfim, os indícios são os mais variados possíveis.
Contudo, é bom frisar que “ventos contrários” não significam depressão, visto que, contrariedades e dificuldades são partes do processo de superação e crescimento, pois a vida é uma sucessão de episódios desejados ou rejeitados, conforme diz Gibran Khalil Gibran: “quando a alegria está à mesa, lembrai que a tristeza dorme em vossa cama”.
Na maior parte dos casos de depressão, fica claro que a responsabilidade não é exercida, ou seja, a pessoa transfere a outros o ônus de seus atos à espera de alguém que a carregue para um lugar de felicidade perene, sem problemas ou contrariedades, enfim, vivendo a ilusão de encontrar o utópico super-homem. Por outro lado, em casos onde a doença está relacionada ao físico, os medicamentos se tornam necessários, porém seu uso deve seguir sempre a orientação médica.
Conclusão
Para vencer a depressão é necessário ter ciência da singularidade do indivíduo e das causas reais que o deprimem, ou seja, não havendo duas pessoas iguais, não poderá haver uma fórmula coletiva, pois os problemas, apesar de parecidos, ocorrem em circunstâncias diferentes, do mesmo jeito, que vivenciados por naturezas distintas.
Sendo assim, caberá ao deprimido assumir a responsabilidade do problema e se conscientizar dos motivos que o afeta através de uma profunda análise dos fatos e pessoas com quem se relaciona para aí, então, construir as estratégias que serão aplicadas.
Simultaneamente à reflexão dos fatores externos, deverá viajar para dentro de si e rebuscar em seus arquivos mentais os motivos e os impulsos que originaram suas atitudes, em outras palavras, fazer uma autoanálise e meditar sobre sentimentos equivocados que resultaram em posturas desprovidas de afetividade, para consigo e para com os demais.
Em tais circunstâncias, sentimentalismo e autopiedade só atrapalham, uma vez que é preciso haver racionalidade e autocrítica para corrigir os próprios erros, e empatia para compreender o sentimento alheio. Apesar de para alguns, parecer impossível vencer a depressão devido às dificuldades iniciais, o ceticismo não se fundamenta.
Exceto em casos clinicamente comprovados, a depressão deve ser considerada como – sintoma – de algo que está em desacordo com a constituição física, psíquica e anímica do indivíduo. Mesmo quando o organismo potencializa os efeitos sombrios e desencadeia algum tipo de enfermidade, não se deve encarar a depressão como causa principal, mas como efeito de algo que se processa além do plano físico.
Conforme já falamos, a reversão do processo tem início quando as transformações, subjetivas e objetivas, ocorrerem através de atitudes que denotem níveis de consciência acima do senso comum, ou seja, quando se rompe com padrões mentais preestabelecidos.
Nessa trajetória, a vida passa a ter outro significado, pois o conhecimento adquirido pelas experiências passadas possibilita enxergar as coisas sob outro ângulo e assumir novas posturas.
José Antonio Séspedes é filósofo licenciado pelo Centro Universitário Claretiano.











