A política de que “os fins justificam os meios” sempre foi lema de muitos partidos em seus governos.
Um exemplo disso é o PT, que desde a era Lula, cria alianças questionáveis com políticos oponentes de tempos anteriores como Maluf, Collor, Sarney, Renan Calheiros e tantos outros.
Alianças com o PMDB, partido reconhecidamente “Maria vai com as outras”, também confirma o fato.
Originário de esquerda, nunca um partido foi tão direita e um dos líderes nos rankings de corrupção como o PMDB.
E, mesmo assim, o PT manteve sua base de coalizão e negociações de cargos e interesses.
De qualquer maneira apontar o dedo para o PT colocando-lhe toda a culpa das mazelas do Brasil não parece razoável.
Os problemas na saúde, segurança, corrupção, déficit carcerário, educação, entre tantas outras dificuldades sempre foram realidade em governos anteriores do PMDB e do PSDB. O PT não os inventou!
Porém, voltando ao passado, é possível lembrar que deputados como José Dirceu, José Genoíno e outros representantes da legenda tentaram, a todo custo, entrar com o processo de impeachment contra Fernando Henrique Cardoso, então presidente da república em 1999.
Na época, eles não achavam que fosse um golpe, apenas uma “mera intenção” de se investigar.
Porém, se no passado as investigações de pedaladas e rombos de orçamento tinham fundamento, por qual motivo hoje não tem?
Se o PT deu a liberdade necessária às instituições públicas investigativas e não tem nada a temer – e isso não é um trocadilho com o vice-presidente – por qual motivo se acusa que impeachment trata-se de golpe?
Quanto a Eduardo Cunha, este foi perverso chantageando o governo! Abriu um processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff exatamente quando soube que não teria apoio a seu favor na comissão de (não) ética.
Porém, por parte da sociedade revoltada com o governo petista, será que Eduardo Cunha não é visto hoje como um meio que justifica o fim? É de se pensar!
Irônico é ver que o PT forneceu ao PMDB ministérios e cargos e, de repente, não vê mais a sigla como confiável. Na verdade ela nunca foi confiável!
Temer se diz isolado em carta, entretanto, não se esperava nada diferente de sua conduta. E porque só agora, após 5 anos, resolveu expôr sua indignação? Infelizmente este partido representa o que há de mais arcaico na política brasileira.
Já Dilma, para se defender da manobra de Cunha, disse em pronunciamento que não tem contas na Suíça e nem histórico de investigações. Isso é a mais pura verdade!
Porém, nunca na história deste país se mentiu tanto no horário eleitoral. E nunca também em tão pouco tempo quase tudo prometido aconteceu ao inverso!
Quanto a Eduardo Cunha, este sim, deve ser impedido imediatamente!
Hoje ele é um símbolo comprovado de corrupção no Congresso Nacional. Sua presidência desmoraliza ainda mais a atividade política.
Quanto à Dilma, se não há nada para se esconder em sua gestão, por que não investigar?
Na verdade o receio do PT é que o PMDB se aproveite da abertura do processo para conturbar a opinião pública e, com as negociações de bastidores, remova a presidente que foi sim eleita democraticamente.
Isso é ruim para o país e para a democracia.
Mas, queira o não, foi o PT quem “cavou sua cova”! O partido deixou de lado seus valores há muito tempo!
Já Lula, dias desses, saiu em defesa da presidente e declarou: “Querem tirar o pobre do poder no Brasil”.
Ele, o povo, viu um partido chegar ao poder após enorme depósito de confiança da maioria das pessoas.
Esse partido promoveu avanços importantes, porém, na sequência, sucumbiu aos seus princípios!
Este povo viu secretários, ministros, senador e até filho de presidente envolvidos em corrupção e se tornarem milionários, mesmo quando se afirmava que governavam para os pobres.
Viram também esse partido governar e lotear cargos para o PMDB que também nunca governou para os menos favorecidos!
Aliás, é bom lembrar que Lula afirmou em evento recente que o PT estava fazendo coisas que disse na campanha eleitoral que nunca faria.
Dilma e seu partido terão de arcar com todas as consequências!
Antonio Gelfusa Junior é diretor do SP Grupo de Jornais.











