Juiz sem razão

Dentro dos conceitos extremistas é comum a existência de paradoxos, já que suas visões são determinadas no que acreditam ser realidade. O bom sou eu e o mau é sempre o outro, eu sou o herói e ele é o vilão, são estas as definições usadas pela esquerda e direita. Deixando claro que a esquerda ou a direita nada tem com posicionamentos políticos ou propostas ideológicas. Porem, é dentro destas duas realidades que hoje o Brasil se encontra e, provavelmente, é também nelas que surgirá os extremos da moralidade.

Ao ouvir que existe o “mal necessário” vejo a irresponsabilidade de pessoas que esquecem a necessidade do bem pois elas não estão em nenhum momento buscando moral e com certeza nesta moral não haverá bom costume. O ser humano que neste momento pensa em matar ou morrer se sente o herói vencendo o vilão, ele acredita que teve a capacidade mental para vencer a força bruta. E o que é pior, ele acha que usou a razão quando na verdade se deixou levar pela emoção.

O julgamento nos dá facilmente o poder de encontrar os culpados (que são sempre os outros) e vemos como os inocentes (que somos sempre nós) atingidos. Ser juiz na penumbra da lei é o conceito da maioria das pessoas que se acham seres superiores e nunca os veremos enxergando o principio da inocência, mesmo que legalmente seja uma prerrogativa, pois estes são Deuses do ego inflado pelo ódio e pela incompreensão. O código de conduta dos “justiceiros” é claramente mostrada quando, ao aumentar o tom de voz, só escuta as próprias palavras.

“Com o dedo em riste aponto severamente o erro do culpado me sentindo o Deus da razão, o culpado, então, mostra para mim o espelho e me assusto ao perceber que apontava para mim mesmo”. O ego inflado do juiz poderoso nunca permitirá essa conclusão.

Não podemos escrever ideias e conceitos com quatro mãos sem achar em outras pessoas a capacidade e qualidade de suas verdades. Mesmo que estas verdades de outros não sejam as suas, devemos buscar incansavelmente o diálogo para encontrar o equilíbrio pois isto é o verdadeiro convívio em sociedade.

A esquerda e direita são as mãos de um mesmo corpo cerrando os punhos e socando uns aos outros incansavelmente num egoísmo e desequilíbrio total que poderá causar muitas mortes, estranhamente, enquanto usa o conceito da outra.

A alienação parece tomar conta das pessoas que buscam o juiz que mais coa­duna com seus conceitos equivocados e, levados pela emoção, vão com certeza sofrer as consequências de suas escolhas desequilibradas por pura histeria.

Os juízes desumanos, com o poder de suas atribuições, manipulam a emoção dos juízes sem razão. Pouco importa se suas atitudes são corretas e morais, o que importa a estes animais (e que me perdoe os animais) se causará transtorno, desavença e inevitáveis mortes. Numa escala de terror e guerra, usam-se os poderes jurídicos (alguns inclusive usando togas) provocando ainda mais ódio do que já existe.

Na busca pelo poder a qualquer preço, as mãos juridicamente imorais provocam o derramamento de sangue e estendidas entre as suas ideias e as ideias do seu opositor são responsáveis por tornar pessoas com capacidade de discutir equilibradamente em inimigos mortais.

Lembro de quando criança, as brigas de rua inocentes sendo alimentadas por terceiros quando os mesmos colocavam a mão aberta entre os oponentes e diziam: “Quem for homem, cospe aqui”. Retirava a mão e, cuspindo um no rosto do outro, começava a briga.

Rogério Gomes é gestor público por formação.

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