Nossas manhãs de lava-jato

De um tempo para cá as manhãs do brasileiro têm sido impactantes e inovadoras.

A lava-jato, operação da polícia federal brasileira que investiga casos de corrupção, vem fazendo um verdadeiro “inferno” na vida de políticos conhecidos.

Nos últimos meses figurões como o senador Delcídio Amaral, o ex-presidente da Câmara dos Deputados – Eduardo Cunha e mais recentemente os ex-governadores do Rio de Janeiro – Anthony Garotinho e Sérgio Cabral, foram parar atrás das grades.

Isso sem falar de ex-ministros e políticos como José Dirceu, José Genoíno e Antonio Palocci.

Também foram presos o empreiteiro Marcelo Odebrecht, o empresário José Carlos Bumlai e o doleiro Alberto Youssef – este último há 3 anos.

Todos agora figuram no hall da corrupção da história recente do país.

Também houve condução coercitiva. Pouco antes do impeachment de Dilma Roussef, o ex-presidente Lula, que virou réu na operação, foi levado para prestar esclarecimentos à PF.

Os exemplos acima são apenas pontuais perto da quantidade de pessoas que foram detidas nas mais de 36 fases da operação que tem se tornado símbolo do combate à corrupção.

Porém, o que mais chama atenção, é que no Brasil sempre pairou a cultura da impunidade.

Sem dúvidas o que temos assistido nos últimos 10 meses tem sido algo transformador.

Em nossa história sempre soubemos que empreiteiro, empresário, político e gente rica em geral dificilmente eram punidos.

Entretanto, por conta de um trabalho incansável por parte dos procuradores da república, policiais federais e ministério público em si, podemos observar justamente o contrário e o inédito passou a fazer parte de nossa rotina.

Não importa se o político é graúdo ou “peixe pequeno”.

O fato é que a liberdade que estes profissionais tem tido para trabalhar de 10 anos para cá ajudou a originar uma das maiores operações investigativas da história mundial.

E, por ironia do destino, quem ajudou a polícia federal a ter mais liberdade e robustez administrativa foi justamente Lula em sua gestão de 2003 a 2010.

Muito conhecida na Itália, a operação mãos limpas (Mani Pulite) que prendeu mafiosos e corruptos do país também inspirou os trabalhos do juiz Sergio Moro que não está sozinho neste processo.

Os procuradores Deltan Dallagnol, Carlos Fernando dos Santos Lima, Roberto Henrique Pozzobon, entre outros, fazem parte de uma equipe que tem enfrentado todos os dias grandes adversidades com o único objetivo de contribuir para que o país possa ser “passado a limpo”.

Se por um lado o brasileiro sofre com a crise, por outro, tem um sentimento positivo de ver que os crimes do “colarinho branco” podem estar com os dias contados.

Nunca o início de um novo dia tem sido tão esperado.

Que venha a próxima manhã de lava-jato!

Antonio Gelfusa Junior é editor responsável do SP Jornal.

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