Dicas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo ensinam como resistir à crise.

Segundo Ricardo Martins, diretor titular do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (CIESP), o empresário brasileiro precisa de motivação. “Motivação é uma espécie de estado mental ou emocional que coloca o indivíduo em movimento”, explica. Apesar de ser uma técnica pouco utilizada pelas empresas, o ingrediente vem ganhando espaço gradualmente e se tornando um elemento estratégico para impulsionar os negócios, principalmente, nos momentos de crise. Pensando nisso, o CIESP Leste preparou um guia para enfrentar a crise.

Mesmo em tempos difíceis existem oportunidades. Cabe a cada gestor, a partir de sua visão crítica e estratégica, buscar onde estão suas chances. Aí é que entra o fenômeno da motivação como diferencial competitivo. “A motivação é o que faz o empreendedor começar e o hábito é o que nos faz continuar”, define o consultor financeiro Jim Rynn.

Para Ricardo Martins, diretor titular do CIESP Leste, em momentos críticos é necessário liderar bem a empresa para resistir às intempéries. “Temos de estar dispostos a rever o negócio, enxugar os excessos, corrigir eventuais lacunas, analisar o que estão fazendo os concorrentes, nos preparar para mudanças e agir rapidamente para garantir as receitas”, recomenda.

O CIESP Leste preparou um roteiro com dicas para os empresários resistirem à crise econômica:

Assuma seu papel de líder
De acordo com o palestrante Gilberto Guimarães, do 10º Congresso da Micro e Pequena Indústria (MPI), organizado pelo CIESP e FIESP, líder é quem mobiliza as pessoas para mudanças. “Líder não é quem manda. Líder é aquele que é conhecido por manter a sobrevivência da empresa, que toma decisões e faz as escolhas corretas”, aconselha.

Segundo Guimarães, o líder deve ser otimista para atrair seguidores. “As emoções são contagiosas. Em um ambiente em que o líder é pessimista e negativo, a equipe liderada também será assim”.

Foco na empresa
Olhe claramente para dentro de seu negócio. Organize a gestão e controle os recursos na ponta do lápis. “Muitos empresários não sabem mensurar a viabilidade de seu produto ou serviço, ou seja, não sabem dizer se a diferença entre o preço de produção e o preço de venda compensa para pagar todos os custos do processo, impostos e ainda lucrar com isso. Por isso muitos trabalham e a empresa não sai do lugar, só sobrevivem um tempo maior porque vão acumulando dívidas com impostos e bancos”, revela o economista Douglas Duek.

Corte os custos e diminua as despesas fixas
Tenha pleno domínio dos seus custos fixos e variáveis. Avalie juntamente com seus colaboradores do setor financeiro e de contabilidade que despesas e custos podem ser reduzidos ou até mesmo eliminados.

Analise o mercado e a concorrência
Nelson Leite, especialista em gestão comercial, explica que hoje a crise é de confiança e os clientes estão comprando crédito mais do que produtos. “Seu crédito está competitivo? Ofereça-o seletivamente observando o histórico dos seus parceiros comerciais. Cuidado com a inadimplência. Ouça o que seus clientes estão lhe dizendo. Entenda-os e os atenda com soluções, de forma descomplicada e ágil, e não apenas com produtos e serviços”, afirma.

Faça um plano de contingência
Planejamento é fundamental para superar crises. “É natural que a mudança ocorra continuamente, sendo esperada ou não. No entanto, ela só poderá surpreendê-lo se você não a esperar e procurar”, escreveu Spencer Johnson, autor do best-seller Quem mexeu no meu queijo?

Evite demissões
Demissões sem planejamento geram despesas extras com rescisões trabalhistas. Para isto a empresa deve manter uma reserva de caixa específica para as indenizações. Além disso, cria uma atmosfera desfavorável entre os demais trabalhadores. Mão de obra qualificada é diferencial no mercado produtivo. Passada a crise você terá que recontratar e treinar novamente. Pense nisso.

Reduza o grau de endividamento
Analise todas as pendências financeiras da empresa.  Renegocie as dívidas existentes com fornecedores ou procure alternativas para reduzi-las. Esforce-se para não tomar empréstimos bancários.

Reveja seu mix de produtos
É hora de dar preferência aos produtos de maior valor agregado e eliminar os que não dão retorno expressivo. “Invista em diferenciação. Crie serviços agregados ou amplie os existentes”, lembra Nelson Leite. É mais fácil vender algo novo para alguém que faça parte de sua carteira de clientes do que procurar novos mercados.

Busque oportunidades fora do escritório
Aumente sua participação em eventos do CIESP/FIESP e outras associações. O momento é propício à troca de experiências e soluções vindas de outros empreendedores.

Evite desperdícios
Otimize seus processos produtivos com investimentos em ações que visem a redução de custos. Nessa fase, máquinas mais modernas podem estar mais em conta para aquisição.

Isto também passará
Especialistas garantem que, com preparação e planejamento, é possível sobreviver à recessão e até mesmo crescer. Essa é a hora de identificar novos nichos e se destacar em todos os setores de mercado.

Reportagem: Assessoria de imprensa. Foto: Divulgação.