Uma discussão animal

A invasão de ativistas ao Instituto Royal, em São Roque, gerou uma grande repercussão na mídia nesta semana.

O debate foi levantado. O que é mais importante: a libertação animal, discutida há tempos, ou o avanço da ciência e dos diagnósticos em pessoas?

É fato. Os animais domésticos como cães e gatos são um dos seres vivos mais próximos ao ser humano. E por isso geram apego, apreço e amor.

Os cães da raça beagle são conhecidos mundialmente pelo amor que passam aos seus donos, pela fidelidade e por aceitarem passivamente dor e angústia.

A ação realizada na última semana já aconteceu na Itália, recentemente, quando libertaram 2500 cães da mesma raça onde muitos ativistas doaram os animais. Pessoas de países como Espanha e Estados Unidos foram um dos destinos dos animais que sofriam com os experimentos da ciência.

É fato que os avanços da humanidade em termos de ciência na área saúde só foi permitido porque testes em animais foram feitos buscando melhora, upgrade e evolução de medicamentos e processos.

No entanto, o debate público sobre a proteção animal evoluiu muito nos últimos anos. Os grupos de defesa aumentaram, o debate chegou às universidades, espaços políticos, partidos e muito mais.

Se os humanos têm direitos, porque os animais não podem tê-los? Em ética, alguns autores de livros e professores renomados dizem que quando um ser não faz parte de uma determinada espécie, isso não lhe dá o direito de explorá-la.
Invasão é crime. Manter animais sobre maus tratos também é crime. Deteriorar patrimônio científico é crime. Mas explorar animais e mantê-los em condições degradantes também é.

Até que ponto as leis brasileiras permitem a exploração animal? Se por um lado cães não podem ser experimentados, porque ratos, coelhos e outros seres continuam? E quanto aos bois, carneiros, frangos e outros animais que são criados para o abate? Também não é coerente!

Os ativistas que defendem o veganismo, que não praticam a alimentação proveniente de animais, são atuantes na causa da não exploração e comercialização de carne animal. Discutir ética e relação de uma espécie para com a outra é com eles mesmos!

E quanto aos institutos de pesquisa científica que vão até o fim na linha tênue da ética e não permitem considerar que o respeito aos animais está à frente da ciência? Isso precisa ser dito. Ser revisto!

Um debate intenso tomou conta de comunidades e redes sociais. E se cosméticos, medicamentos e outras substâncias fossem testados em presos de alta periculosidade que tem altas dívidas com a sociedade? Eles poderiam retribuir o mal que fizeram – e ainda fazem organizando crimes via celular – sendo voluntários para testes de substâncias em troca da redução de pena.

Pessoas sem delitos contra a sociedade se colocam à disposição para testar medicamentos para diversos fins, em vários lugares do mundo, porque então detentos não poderiam fazê-lo?

Se os direitos humanos não permitiriam tal “permuta” de serviços entre “cavalheiros”, porque os direitos de proteção e libertação animal deveriam permitir?

Os animais não falam, mas hoje contam com representantes que procuram dar voz a uma espécie que sempre foi explorada e a cada dia conta com fortes adeptos em sua proteção.

A sociedade precisa estar em constante evolução.

E manter relação ética com os animais, sejam eles cachorros ou árvores e florestas, trata-se de um dos princípios da sustentabilidade, que, ironicamente, também não tem sido nada respeitada nas últimas décadas.

Qual o principal problema no Estado de São Paulo, atualmente?

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