A onda dos tesoureiros

Fernando Collor de Melo, ex-presidente deposto por um processo de impeachment em 1992, atualmente senador da república e aliado o governo federal, contou com um tesoureiro muito conhecido em sua campanha: PC Farias.

Após sequentes investigações Paulo César Farias foi o grande pivô de um esquema de corrupção envolvendo boa parte da máquina administrativa. Na época, todo escândalo foi denunciado pelo então irmão do presidente, Pedro Collor de Melo.

Os tesoureiros, sem dúvidas, são profissionais importantes em empresas, instituições públicas, partidos e associações, afinal, são eles que ditam o famoso “pode ou não pode” de investimentos a serem feitos e absorvidos, sejam eles da ordem que for. Entretanto, parece que eles “roubam a cena” com certa frequência quando o assunto é política.

Outro escândalo que também ficou famoso, o “mensalão”, contou com o protagonismo de Delúbio Soares no ano de 2005. O então tesoureiro do PT, após comprovado envolvimento no esquema, foi expulso do partido.

Atualmente, ganha-se projeção na mídia a operação “lava-jato”, mais conhecida como “Petrolão”, e o nome de João Vaccari Neto, tesoureiro do PT, também foi envolvido intensamente em mais um escândalo articulado sob a ótica da lavagem de dinheiro.

Longe de acreditar que somente os tesoureiros do PT estão envolvidos com atos ilícitos, até porque existem muitos partidos pertencentes ou não à base governista que também negociam e negociaram espaços de poder para comando público – o que nunca foi novidade na história do país –, é fato que estes profissionais sempre tiveram amplos poderes. A diferença é que o primeiro escândalo (Collor) terminou em impeachment e os outros dois (Lula e Dilma) em prisões de alguns dos participantes.

Um ponto contra ao PT: a presidente Dilma poderia, junto ao seu partido, ter providenciado o afastamento de Vaccari de maneira mais rápida, uma vez que o mesmo estava envolvido de forma tentacular nas provas. A falta de uma pronta atitude frustrou boa parte da militância do partido, inclusive de alguns grupos de jovens, que também evadiram da legenda decepcionados. A situação já aconteceu uma vez quando o protagonista foi Delúbio. Lula, na época, também silenciou.

O ponto a favor ao partido: nunca antes se investigou e se foi tão rigoroso neste país com envolvidos em atos de corrupção. A transparência se deve a maior autonomia dada à polícia federal, procuradoria geral e ministério público. Isso sem contar no papel da imprensa que é importantíssimo.

O que ainda não conseguimos ver é político graúdo, líder de partido, sendo preso ou mesmo investigado a fundo, sem que escape por brechas na lei.

Porém, mantenhamos a calma. Muitos peixes passam pelas ondas, porém, alguns sempre são apanhados pelas redes. Se a rede aumenta, a “fartura” também aumenta!

Antonio Gelfusa Junior é diretor do SP Grupo de Jornais.

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