Não é de hoje que Caco Barcelos vem desempenhando excelente trabalho frente ao Profissão Repórter, programa da Rede Globo com pautas diferenciadas onde novos profissionais do jornalismo investigam e aprendem sobre o mundo da reportagem no dia-a-dia.
Entretanto, nesta terça-feira, a pauta que era sobre saúde pública chamou a atenção da sociedade. Talvez não o suficiente e na verdade nunca será o suficiente, mas com muita qualidade a equipe de jornalistas se envolveu nas filas de internação em UTI em estados como Goiás, Minas e Piauí.
A situação mostrava pessoas em situações de desespero para internação de parentes em UTIs de hospitais. Como todos os hospitais estão sempre lotados, situação corriqueira em nosso país, os cidadãos buscam a defensoria pública, que ao analisar os laudos médicos, obrigam o poder público internar os pacientes em regime de urgência.
No Brasil tudo pode sempre piorar. Alguns parentes de crianças, adultos e idosos esperavam dias para serem atendidos nos hospitais, mesmo com mandado judicial, uma vez que não há leitos suficientes naqueles estados. Secretários de saúde, diretores administrativos de hospitais e outras autoridades falavam aos jornalistas sobre a real situação. Muitos sem culpa alguma, afinal, herdam o caos deixado por omissas administrações anteriores.
Muitas vezes a fila para internação é maior do que a metade da quantidade de leitos. E infelizmente é preciso escolher entre os casos mais graves entre os graves.
Escolher quem vai morrer não é um “privilégio” apenas dos estados acima. Rio Grande do Norte, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina, enfim, todos os estados do Brasil, sem exceção, não tem leitos públicos suficientes para a demanda da população. Na verdade, nem contando com os hospitais particulares é possível suprir a real necessidade de uma população com problemas de saúde diversos.
Falar de Copa do Mundo, de R$ 1 bilhão para Maracanã, Mané Garrincha, Itaquerão, Castelão e tantos outros estádios é chover no molhado! Falar novamente do mensalão, de mensaleiros, de corruptos, de vantagens, comissões, subornos também é ficar na mesma ladainha.
Mas não é possível que as pessoas que estragam nosso país a cada projeto parlamentar infame, com tanta corrupção desenfreada e falta de profissionalismo, não se emocionem ao ver uma criança – como a da reportagem de Caco Barcelos – morrer porque a mesma deveria ter sido internada muito antes do que o prazo conseguido.
Não é possível que nossa capacidade de se indignar esteja cada dia menor e não é possível que os reais controladores da gestão pública deste país continuem não tendo o desprazer de passar por situações semelhantes.
Só as autoridades passando pelos mesmos problemas para quem sabe um dia uma mudança radical aconteça. Mas isso não é possível, afinal, os políticos geralmente são internados em hospitais particulares e não enfrentam filas!
Pois é, a saúde continua a mesma, mas nossos estádios… quanta diferença!
Antonio Gelfusa Junior é diretor executivo do SP Grupo de Jornais.












