Alergia ao látex pelo uso de luvas

10% dos profissionais de saúde apresentem o problema, afirma especialista do Iamspe.

O ambulatório de Alergia do Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE) é referência no tratamento de alergias raras, como ao látex, encontrado nas luvas usadas por profissionais de saúde.

“Sabe-se que 10% desses profissionais desenvolvem reação a esse produto e, através de testes e exames, é possível fazer o diagnóstico e definir medidas preventivas”, afirma João Ferreira de Mello, diretor do Serviço de Alergia e Imunologia Clínica do HSPE, administrado pelo Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público Estadual (Iamspe).

A pesquisa sobre o assunto teve início nos anos 90, quando o uso das luvas de procedimento cresceu por conta do aparecimento do HIV, vírus transmitido pelo sangue e secreções.

“O ambulatório do Iamspe foi escolhido porque é referência para os funcionários da saúde do Estado”, explica o diretor do serviço.

O látex é extraído da seringueira, uma árvore brasileira de nome científico Hevea brasiliensis. Os pacientes sensíveis ao látex podem apresentar sintomas de alergia no local do contato (coceira, placas vermelhas) ou mais generalizados, como dificuldade respiratória, chiado no peito, desmaio e queda da pressão, podendo chegar ao choque.

No processo de manufatura do produto também são adicionadas substâncias que podem causar reação alérgica local (dermatite de contato). Além disso, o principal alérgeno do látex – a Heveína – pode ter reatividade cruzada com alérgenos de certas frutas, legumes e outros alimentos vegetais que possuem componentes similares e, neste caso, o paciente também apresenta sintomas com a ingestão destes alimentos.

“Frutas como kiwi, abacaxi, abacate, banana, morango e tubérculos, como mandioca e batata, também podem causar sintomas alérgicos quando ingeridas. Esta é uma reação cruzada, conhecida como síndrome látex-fruta, e ocorre em 30 a 50% dos pacientes sensíveis ao látex. Se não tratada adequadamente, a alergia pode evoluir para um choque anafilático, com risco de morte”, afirma o especialista.

Trata-se de uma síndrome rara encontrada em um grupo restrito de pessoas, entre elas os profissionais de saúde, de limpeza e estética, pacientes submetidos a múltiplas cirurgias e atópicos (pessoas que apresentem rinite, asma e alergias de pele).

Segundo o dr. Mello, já passaram cerca de cem pacientes pelo ambulatório, mas devem existir muitos profissionais que possuem a alergia e não procuram ajuda médica.

O diagnóstico desta alergia é realizado por meio da história clínica do paciente e dos testes: o cutâneo imediato (coloca-se a substância diretamente na pele e faz-se uma picada) ou de contato com leitura após alguns dias (coloca-se um adesivo sob a pele do dorso, contendo quantidades mínimas das substâncias que causam a alergia).

“Ao confirmar o diagnóstico de quais agentes provocam a alergia, o tratamento inclui a prevenção da crise, evitando o contato com produtos que contêm látex e preconizando o uso de luvas e produtos de nitrila, vinil, silicone, que são livres de látex.

Também são prescritos medicamentos para controle das crises e, por último, pode ser indicada a dessensibilização, também chamada de imunoterapia, ou seja, aplicação de vacina específica, no período de três a cinco anos, com o objetivo de dessensibilizar o paciente para evitar crises por eventual contato com o produto”, esclarece Fátima Rodrigues Fernandes, chefe do ambulatório e responsável pelo tratamento destes pacientes.

Iamspe
O Iamspe, autarquia vinculada à Secretaria de Gestão Pública, tem hoje uma das maiores redes de atendimento em saúde para funcionários públicos do país.

Além do Hospital do Servidor Público Estadual, na capital paulista, possui 17 postos de atendimento próprios no interior, os Ceamas, e disponibiliza assistência em mais de 100 hospitais e 140 laboratórios de análises clínicas e de imagem credenciados pela instituição, além de 3.000 médicos em 200 cidades paulistas, beneficiando 1,3 milhão de pessoas em todo o Estado.

Reportagem: Assessoria de imprensa. Foto: Divulgação.

Qual o principal problema no Estado de São Paulo, atualmente?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...

Siga-nos

Veja também: