Analistas políticos e econômicos de diferentes partidos debateram razões e soluções para atual momento pelo qual passa o país.
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) recebeu, no dia 30 de novembro, grandes nomes do pensamento político e econômico do país para discutir as razões e as possíveis saídas para a crise atual brasileira.
O encontro foi durante sessão plenária da ACSP em conjunto com reuniões de dois conselhos da casa: Conselho Político e Social, coordenado pelo ex-senador Jorge Bornhausen, e Conselho de Economia, coordenado pelo economista Roberto Macedo.
Cinco debatedores apresentaram seus posicionamentos: Roberto Macedo, João Pimenta da Veiga Filho (ex-deputado federal, ex-ministro das Comunicações e fundador do PSDB), Paulo Delgado (ex-deputado federal e fundador do PT), José Jorge (ex-deputado federal e ex-ministro do TCU) e Heráclito Fortes (deputado federal e ex-senador). Os quatro últimos são, também, membros do COPS.
Para Macedo, a economia brasileira é hoje impactada predominantemente pelos fatos políticos. Ele citou, como exemplo, o relatório Focus do Banco Central, cujas projeções foram piorando gradativamente ao longo do ano, acompanhando os acontecimentos em Brasília.
“A previsão do IPCA, que era de ficar dentro da meta, hoje já está em 10%. A previsão do PIB saiu de uma perspectiva positiva no começo do ano para uma expectativa de -3%”, ressaltou o economista. “De notícia boa mesmo, só a balança comercial, que está melhor por causa do enfraquecimento das nossas importações”.
Macedo condenou as chamadas pedaladas fiscais da presidente Dilma Rousseff e também não poupou críticas ao que cunhou de “aceleradas fiscais”, que seriam o alto incremento – em curto espaço de tempo – do orçamento de programas sociais como FIES e Ciência Sem Fronteiras. “Só projetos voltados para jovens com título eleitoral”, questionou Macedo.
Já Pimenta da Veiga reforçou que o momento atual é um conjunto de crises, sendo que a mais grave é a ética. “É preciso admitir que a presidente Dilma Rousseff não tem condições de conduzir o país”, afirmou.
Para ele, é necessária união em torno de um nome apartidário e de consenso para governar o país transitoriamente até 2018. Veiga, no entanto, não cogitou quem pode ser esse líder.
Paulo Delgado ressaltou a importância do combate à corrupção, salientando que a crise ética do Planalto e do Congresso gerou um vazio político que, aos poucos, é ocupado pelo Supremo Tribunal Federal.
“Nos últimos dias, o STF assumiu que é uma poliarquia unitária e que vão assumir o papel de unir o país”, frisou o ex-deputado, em referência as recentes decisões do tribunal.
Um dos fundadores do PT, Delgado fez duras críticas ao partido e acusou a legenda de se apropriar da economia brasileira para fins eleitorais. “Em 100 anos, quando olharmos para trás, você não verá nada. Verá uma caricatura de poder. E isso me dói, porque ajudei a criar o partido”, desabafou.
José Jorge, por sua vez, apontou a saída de Dilma do poder como solução para apaziguar a instabilidade política. Ele – que já foi ministro de Minas e Energia – lembrou a atuação dela na área energética, quando foi ministra da área e presidente do conselho da Petrobras. “O sistema hoje está um caos total”, acusou.
Ainda na avaliação de Jorge, a origem da crise está em 2014, quando o governo tomou decisões políticas com fins eleitorais, gastando mais do que podia. “Ele se baseou em gastos excessivos e mentira”, afirmou.
Por fim, Heráclito Fortes foi contundente ao afirmar que “a crise é a Dilma”. Só é preciso saber, disse ele, se ela é a construtora ou vítima da crise. Diferentemente de Jorge, ele remeteu o início da crise à época em que Lula se movimentava pelo seu terceiro mandato, o que teria abalado a estabilidade política e institucional.
O ex-senador analisou que Dilma “não vai se sustentar” e, em vez de apontar um caminho para a crise, afirmou que “não se tem nenhuma previsão de até quando a crise vai se estender”.
Reportagem: Assessoria de imprensa. Foto: Divulgação.











