A boa impressão das Olimpíadas!

Depois de tanta “síndrome de vira-lata” ficou muito claro que, assim como todos outros eventos do gênero, a cidade e país sede de qualquer edição das Olimpíadas geralmente se preparam adequadamente para receber o público.

Era natural que erros acontecessem, e, em contrapartida, os acertos e alegrias também ganhariam o espaço no coração dos brasileiros, originalmente carismáticos e festeiros.

Rostos agora populares com Rafaela Silva, Thiago Braz e Robson Conceição dos esportes judô, salto com vara e boxe, respectivamente, tiveram histórias de superação que somente com muita força de vontade e apoio familiar foram possíveis de serem escritas.

Atletas estes de gerações pouco valorizadas pelas instituições públicas e particulares.

Não agora, que famosos, serão mais cobiçados pelo marketing.

De qualquer maneira, nunca um país estará preparado 100% para uma olimpíada e é fato que eventos deste porte trazem transtorno e alguns problemas relacionados à corrupção.

Todavia, na contramão deste processo, a quantidade de turistas e migração de valores monetários para o comércio, hotelaria e prestação de serviços acabam por oxigenar a economia local.

O Brasil, excepcionalmente neste ano, passou por turbulências políticas de proporções jamais vistas, entretanto, nunca tão necessariamente debatidas nos ambientes sociais, sejam eles analógicos ou digitais.

Deste amadurecimento necessário de nosso país adolescente se espera, sem dúvida alguma, que tenhamos, daqui para frente, um olhar mais otimista do que acontece fora e internamente.

De problemas já estamos cheios, é claro. Olhamos todos os dias para eles. Nas ruas, nas favelas, nas periferias, dentro de nossas casas e círculo de amigos.

Mas estas presença histórica em uma olimpíada deve ser lembrada com carinho pelas próximas gerações.

Ficou sim um legado: aquele dos bons atletas que imprimiram suas características demonstrando espírito de competição e comportamento digno.

O depoimento de Caio Bonfim [foto], atleta de marcha atlética, que foi vítima de preconceito e xingamentos durante sua carreira profissional, foi o mais emocionante.

Apesar das dificuldades, mas com espírito olímpico em primeiro lugar, soube valorizar a sua 4º posição, mesmo quando a sociedade e a imprensa não o fizeram.

Torcemos sim para que nestas próximas eleições aprendamos a votar e a cobrar melhor nossos governantes.

Que possamos avançar em agendas públicas que transformem educação, esporte e cultura em uma obsessão boa nas cidades pelo Brasil afora. Aliás, nestas três áreas, é preciso de investimento intenso e atenção devida das instituições brasileiras.

Somente um povo educado e envolvido com atividades esportivas e culturais pode construir um país melhor para as futuras gerações.

Vamos torcer por um Brasil bom!

Antonio Gelfusa Junior é editor responsável pelo SP Jornal.

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