Como ser contra, a favor e muito pelo contrário!

Como se podem unir diferenças sem que exista desequilíbrio? Esta é a mais importante pergunta a ser feita no momento.

Quando as pessoas têm a mesma ideia sobre política, religião e futebol (o que dizem ser assuntos que não se discute), ainda assim, existem pontos divergentes ou pelo menos que não são consenso. Baseado nisso, coloco em questão a que ponto podemos chegar quando a união de pessoas totalmente diferentes é levada ao extremismo sem lógica e convergência.

Os que são contra o aborto e “a favor da vida”, unidos com os quem defende a posse de armas; os que defendem a família junto com quem acredita que mulher algumas vezes passa do limite e deve ser repreendida pelo marido; pessoas que querem o militarismo, caminhando junto com os que querem democracia (alguns defendem os dois ao mesmo tempo?!) mas não aceita resultados de eleição, a não ser que o resultado seja o que ele deseja; os que apoiam a saúde pública de qualidade e gratuita de mãos dadas com os que deseja a privatização de todo o sistema público; os que pedem o cumprimento da lei, junto com pessoas que não as cumprem; os que pregam o amor ao próximo, junto com os que querem do seu lado somente o igual; os que berram ao dizer que não temos educação de qualidade unidos com os que fecham escolas públicas; e todos juntos, os que pensam diferente tendo o apoio dos que sempre cuidaram do bem estar pessoal e nunca da totalidade.

Uma cidade como São Paulo, onde as diferenças são ainda gritantes, deparamos com os movimentos sociais, onde muitos nunca foram tão socializados e uma boa parte só entende como social o seu rol de amizades, pedindo ações de governos e governantes sem um mínimo de equilíbrio de coalizão. Nitidamente mostrando que existe muito mais um desejo pessoal, por não gostar de alguns ou de alguma coisa, do que a busca pelo resultado positivo da moralidade (que, aliás, é outra união sem lógica dos imorais que apoiam a moral e os bons costumes).

Dizer que os diferentes podem pensar em buscas de um mesmo foco torna-se uma utopia quando o ódio alimenta os desejos pessoais e esta união só acontece por conta deste ódio sem explicação.

O Brasil é um país que vive um momento delicado (mas muito melhor do que há 14 anos e devemos lembrar disso sempre), e não somente por crises políticas ou econômicas, mas principalmente por manipulação de alguns setores que conseguem enganar a muitos e acham estar no caminho certo.

Temos, por fim, os que somente têm vantagem com tudo isso, estando bom ou ruim, e como sempre, continuam em cima do muro e têm a coragem de cobrar o que nunca fizeram. São esses mesmos que estão à frente dessas uniões sem equilíbrio com uma única intenção: por fogo, mesmo que não exista motivo.

As guerras são iniciadas por oportunistas com a intenção única do poder pelo poder. Criar exércitos de fundamentalistas é uma facilidade dos hipócritas que apostam na falta de informação ou na informação equivocada. Que seja um alerta, pois os que pedem mudanças hoje, ontem faziam pior.

Rogério Gomes é gestor público.

Qual o principal problema no Estado de São Paulo, atualmente?

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