A votação de Dilma em São Paulo foi representada por mais de 8 milhões de pessoas. Equivale a quantidade de votos que ela teve nos estados de Rio Grande do Norte, Maranhão, Piaui e Ceará juntos.
Já por estes números acima é possível observar que não foi o eleitor do nordeste quem elegeu Dilma. Quem elegeu Dilma, de fato, foram os eleitores de todos os estados do país. Democracia é assim.
Dilma venceu em quantidades de votos no nordeste e parte do centro oeste. Já Aécio Neves venceu no sul, em São Paulo e estados do sudeste.
Houve dois pontos que foram o “tendão de Aquiles” da campanha de Aécio Neves. O primeiro foi ter perdido a eleição em seu estado de origem, Minas Gerais. O segundo foi ter perdido a eleição no Rio de Janeiro, estado com votação estratégica, onde a candidata Dilma tinha apoio dos dois candidatos a governador que estavam no segundo turno, Pezão (PMDB) e Crivella (PR), ambos de partidos da base aliada do governo petista.
Já o problema da campanha de Dilma, que quase custou sua reeleição, foi da temática agressiva e os sequentes escândalos de sua gestão nas estatais.
Foi possível também observar a grande onda de mentiras profanadas nas campanhas eleitorais dos dois candidatos. Situação e oposição trocaram injúrias e acusações durante todo o segundo turno, seja no horário eleitoral ou mesmo nos debates realizados. Destaque neste caso para o PT que foi a campanha quem mais atacou: iniciou o embate com Eduardo Campos, passando por Marina Silva e finalizando em Aécio Neves no segundo turno.
As redes sociais também tiveram papel importante nestas eleições.
De um lado os “dilmistas” afirmando que os avanços sociais promovidos no governo atual eram a única maneira de continuar permitindo o país sair de vez da miséria e incluir as minorias em todos os estágios da sociedade.
De outro lado os “aecistas” propondo mudanças no cenário atual da economia e da administração da máquina pública. O combate à corrupção também foi um dos motes de campanha da candidatura oposicionista que representava a insatisfação de muitas pessoas Brasil afora.
De qualquer forma, levando em conta o cenário da eleição mais apertada e concorrida desde 1989, os dois candidatos ganharam muito com o pleito.
Dilma terá mais 4 anos para tentar estabilizar a economia de vez, conter a inflação, manter os importantes avanços sociais e provar para 48% da insatisfeita população que pode reverter a imagem de corrupção e aparelhamento da máquina pública, que ficou impregnada em sua imagem.
De outro lado saiu Aécio, perdendo a eleição – o que é quase normal quando um postulante o faz pela primeira vez –, mas ganhando a imagem do principal opositor do governo atual, já que cumprirá mais 4 anos de seu mandato como senador. Hoje sua atuação é vista como principal figura de mudança para um próximo pleito.
Sendo assim, que venham avanços para os próximos 4 anos.
Que se invista em infra-estrutura para melhorar nossas vazões, que se investigue mais as ações do governo, que se olhe para a crise da água e do meio ambiente como se deve e, principalmente, que se invista na educação de nossas crianças.
Por Antonio Gelfusa Junior











