Falta de água e falta de respeito!

Há alguns meses a imprensa tem noticiado sobre a redução drástica que os níveis da reserva de Cantareira tem atingido no estado de São Paulo.

Após chegar aos ínfimos 8%, a Sabesp e o governo do estado promoveram uma reforma que custou R$ 80 milhões, e o nível da represa voltou a atingir a escala de 20/30% de capacidade.

O Sistema Cantareira conta com 400 bilhões de litros de água de volume morto. 182,5 bilhões de litros serão bombeados, sendo que a previsão da Associação Nacional de Águas (ANA) é usar 133 bilhões de litros até o início do período de chuvas, novembro deste ano.

A situação é delicada. Há décadas não se enfrenta uma seca como essa. Fato que também é comum em outros estados de países desenvolvidos como na Califórnia, nos Estados Unidos.

Há décadas a população do estado vem crescendo de maneira vertiginosa, assim como o consumo e também o desperdício.

Como forma de atingir resultados o governo passou a bonificar os consumidores com descontos pela economia de água, e, em contrapartida, está punindo com multa os consumidores que a desperdiçam.

Desperdiçar a água, que é um bem comum e insubstituível, é um comportamento errado e deve haver punição sim.

Porém, é muito fácil promover esta situação após meses de omissão.

Toda esta situação poderia ter sido evitada com mais transparência do governador Geraldo Alckmin e sua equipe.

Esta transição também poderia ser menos tensa se a Sabesp, que também é controlada por capital aberto, fosse menos gananciosa em seus lucros e investisse parte do que arrecada na melhora da infra-estrutura – que está precária em alguns pontos críticos – e também em atuantes campanhas de conscientização.

Contudo, ficam as perguntas:
1 – Por qual motivo a campanha da economia de água não começou antes dos índices se tornarem alarmantes?
2 – Porque o desperdício de água, devido a falta de manutenção adequada em galerias, vias de tubulação e espaços públicos, ainda são recorrentes?
3 – O que foi que aconteceu com o governador que não se pronunciou à imprensa, antecipadamente, comentando os fatos antes da crise?

São três perguntas pontuais que, de fato, não ajudarão agora a resolver o problema da água na grande São Paulo, mas, com certeza, colocam em “xeque” a credibilidade da Sabesp, do governador Alckmin, e claro, de sua reeleição.

Reconhecer a fraqueza de um setor ou departamento é ainda um grande tabu para os políticos do Brasil, que acreditam que fazendo isso, automaticamente, a situação se reverte na perda de votos e popularidade.

Porém, poucos percebem, mas a falta de transparência também prejudica a elegibilidade dos mesmos. Mas como o brasileiro tem memória curta…

Qual o principal problema no Estado de São Paulo, atualmente?

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