O Decreto do prefeito Fernando Haddad (PT) que libera veículos particulares a fazerem serviço remunerado de transporte de passageiros em São Paulo trata-se de um verdadeiro golpe contra os taxistas, causando à categoria um prejuízo de R$ 600 milhões, por sua falta de clareza. Em um primeiro momento, Haddad sancionou a Lei Municipal 16.279/2015, que proibia o serviço remunerado de transporte de passageiros em São Paulo com 43 votos na Câmara a favor. Depois, veio a história do “táxi preto”, que Haddad criou por meio do Decreto 56489/2015. Dessa forma, ele arrancou dos 5 mil motoristas sorteados pela prefeitura, R$ 60 mil de cada um pelo alvará. Para cumprir as determinações dos modelos de carro exigidos pela prefeitura, os taxistas ainda tiveram prejuízos de mais R$ 80 mil. Ou seja, enganados pelo prefeito, cada um investiu pelo menos R$ 140 mil.
Ciente do problema que causou a esses motoristas iludidos e, pressionado até pela imprensa, voltou atrás e por decreto, publicado na edição de 14 de maio do “Diário Oficial”, autorizou funcionários da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico a acionar os serviços dos “táxis pretos” que funcionam só por chamadas via internet. Como se esses taxistas precisassem viver de esmolas e migalhas da Prefeitura.
Por essa atitude, Haddad novamente se comportou como um gestor sem palavra, que não cumpre compromissos assumidos! E mostra-se submisso a uma empresa estrangeira que acredita que tem a liberdade de agir da maneira como bem entender em nosso país, desrespeitando nossas leis, contrariando o nosso Código Brasileiro de Trânsito, que proíbe carros de placa cinza, ou seja, de motoristas particulares, de fazer serviço remunerado de transporte de passageiro. Qual seria a razão de Haddad ter mudado de ideia? Algum fato obscuro? Tal conduta merece investigação do Ministério Público do Estado e do Tribunal de Contas do Município, pois não se pode causar prejuízo dessa ordem e tudo permanecer como se nada de errado tivesse ocorrido.
Estranha também o fato de o prefeito escolher o dia 11 de maio para publicar o Decreto que libera o Uber na cidade, no mesmo dia em que praticamente todo o Brasil estava de olho na votação do Senado pelo afastamento ou não da presidente Dilma Rousseff pelo processo de impeachment. Sendo que ele mesmo já havia sinalizado que tomaria qualquer atitude a respeito somente mais adiante. Estranha, mas não surpreende. Pois, com a ideia de tentar não chamar a atenção para medidas impopulares, Haddad já se utilizou dessa manobra no fim do ano, quando para abafar a publicação de um Decreto pelo ajuste da tarifa da passagem dos ônibus na cidade, na mesma data ele publicou que abriria uma Consulta Pública justamente sobre o aplicativo Uber.
Prefeito, não só os taxistas estão cansados das suas “trairagens”, da sua falta de transparência e de coerência na administração da cidade. Mas, não vamos desistir de lutar pelos direitos da categoria, pela defesa do trabalho de tantos pais de família que estão sendo prejudicados por um serviço clandestino que o senhor defende de forma tão controversa. Pare de olhar somente para “as faixas vermelhas”, a menina de seus olhos. Administrar a cidade não é só fazer ciclovias (a grande maioria impróprias e desnecessárias). O serviço de táxi, os taxistas e a população merecem respeito no tratamento. Não podem ser vítimas da sua falta de palavras com a categoria. Lembre-se: Quando o senhor deixar a prefeitura, será lembrado como o prefeito que não cumpriu a palavra com os taxistas e o maior responsável por levar mais de 65 mil taxistas à falência.
Esses R$ 300 milhões que o senhor impôs aos trabalhadores para encher os cofres da prefeitura doeram demais no bolso dos taxistas, mas certamente custará muito mais caro ao senhor.
Edmilson Americano é presidente da Abracomtaxi – Associação Brasileira das Associações e Cooperativas de Motoristas de Táxi e presidente da Guarucoop.











