Manifestar e mudar é preciso!

Desde o início dos processos políticos no Brasil os cargos públicos sempre foram loteados por partidos com intuito de estimular a máquina partidária de candidatos para se manter no poder.

Isso nunca foi novidade. No âmbito federal, Banco do Brasil, Caixa Econômica, BNDES e Petrobras sempre foram alvos da administração do político gestor do país, seja ele de qual partido fosse.

Doações para campanhas sempre aconteceram, porém, apenas com elas não seria possível desenvolver propagandas bem produzidas em horários políticos. Sempre houve injeção de dinheiro de outro local. Normalmente, este montante sempre foi oriundo dos filiados de partidos que ocupam os aparelhos públicos.

No governo do Estado de São Paulo, Metro, CPTM, Sabesp, hospitais públicos e secretarias também são espaços ocupados por políticos filiados e indicados pelo PSDB e sua base aliada.

Não diferente, na cidade de São Paulo, a prefeitura governada pelo PT, destina os cargos públicos para filiados em seu partido e base aliada como PP e PTB, por exemplo.

O fato que leva as pessoas às ruas não se trata apenas de um escândalo envolvendo a Petrobras.

Dilma foi eleita pela maioria da população, isso é legítimo e deve ser respeitado.

Porém, a insatisfação da população é que, de fato, a presidente da república mentiu em sua campanha eleitoral, o que também não é novidade se tratando de horário político.

Sempre foi praxe no Brasil não falar a verdade. Porém, suas afirmações de que a economia não sofreria período instável, que a gasolina e luz não aumentariam, que seu partido não estava envolvido em escândalos de corrupção, por exemplo, fragilizaram a chefe do governo diante dos brasileiros.

É muito claro que Geraldo Alckmin também mentiu, quando não reconheceu a falta de água no estado, por exemplo. O que também é digno de grande manifesto.

Lula, um dos ícones da política deste país, quando então oposição, sempre defendeu impeachment contra Fernando Henrique Cardoso. Hoje seu partido é situação e o pedido de um ato como este é visto como golpe por parte de seus correligionários de esquerda. Aliás, uma esquerda que deixou de existir assim que assumiu o poder em 2002.

Lula também condenou durante anos a base aliada do PMDB na era FHC, a tal direita conservadora do Brasil, com atores famosos como Renan Calheiros, José Sarney e companhia. Já hoje, eles são base aliada de governo e assim como o PP, estão juntos com o PT, envolvidos no escândalo lava-jato.

Também há políticos de outros partidos envolvidos nas investigações lava-jato. Corrupção sempre existiu na sociedade, não é exclusividade de um único partido ou país.

É preciso lembrar que as manifestações de 2013 apresentaram uma insatisfação geral, não com o PT.

Já as manifestações recentes, mesmo sendo pró ou contra governo, mostram que o brasileiro, historicamente alienado e não politizado, está dando suas caras num longo processo de educação e politização.

Não é uma manifestação da elite ou da periferia. Da esquerda ou da direita. É a necessidade do povo de mudar dentro e fora de si.  E isso já é um grande passo!

Antonio Gelfusa Junior é diretor do SP Grupo de Jornais.

Qual o principal problema no Estado de São Paulo, atualmente?

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