Não era a vez da periferia?

Apenas 19% das construções e reformas presentes no plano de metas foram concluídas até o momento. Um levantamento feito por um grande jornal paulistano constatou que, há pouco mais de um ano das eleições, 64% das obras prometidas pelo prefeito para a periferia de São Paulo sequer saíram do papel. Das 751 construções e reformas presentes no plano de metas, apenas 141 delas, o equivalente a 19%, foram concluídas.

As áreas da educação e saúde, apontadas pelo prefeito já depois de eleito como prioritárias no enfrentamento da pobreza, pouco avançaram desde o início de 2013. Tanto que 69% das metas de cada uma delas não foram nem iniciadas. Incluem-se aí, por exemplo, os CEUS e as UBSs.

Dos dezenove Centros Educacionais Unificados prometidos, apenas um foi entregue e das 61 Unidades Básicas de Saúde, só cinco foram finalizadas.

Vamos além: da meta de 243 creches, só 123 serão viabilizadas, sendo 43 delas feitas com recursos concedidos pelo governador Geraldo Alckmin. As EMEIs (Escolas Municipais de Educação Infantil) e EMEFs (Escolas Municipais de Educação Fundamental) foram descartadas do orçamento de 2016 da cidade e também não serão realizadas.

O curioso é a justificativa da gestão petista para tamanha lentidão. Segundo a prefeitura, o governo federal não fez os repasses devidos para a execução dos projetos. Dos R$ 8 bilhões prometidos, apenas R$ 230 milhões foram de fato encaminhados.

O discurso atual destoa e muito do feito anteriormente em campanha pelo prefeito, que sublinhou quão benéfico seria para São Paulo ter à frente da administração municipal alguém do mesmo partido da presidente da República.

Os moradores de São Paulo estão cansados de saber que coerência não é o forte do prefeito, mas soa um tanto oportunista mudar a fala nessa altura do mandato. Representante de um partido de pretensa representação dos mais necessitados, o PT deixou de cumprir duas a cada três obras destinadas a essa parcela da população na capital paulista.

Era essa a política alardeada pelo dito ‘homem novo’? De qualquer maneira, um mérito o prefeito tem: aprendeu como culpar os outros pelo não cumprimento de suas responsabilidades. Sempre os outros, até seus amigos do governo federal.

Mario Covas Neto é vereador pelo PSDB em SP.

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