O balanço da gestão Haddad

Fernando Haddad foi ministro da educação. É professor universitário e no final deste ano encerra seus 4 anos de gestão a frente da maior cidade do país.

É importante avaliar seu desempenho, até mesmo para que possamos sempre nos manter imparciais das inconstâncias políticas e analisar com isenção o que foi bom e ruim em nossa cidade.

Haddad acertou no processo de tornar a cidade mais humana.

A ciclofaixa era um projeto antigo e que ele poderia ter protelado enquanto prefeito, até porque medidas como essa tornam uma gestão e o político a frente dela impopular. Haddad preferiu enfrentar a impopularidade e implementar. É claro que ainda faltam muitos pontos de conexão e outros precisam ser melhorados e investigados, mas o pensamento de mobilidade era uma necessidade urgente.

O prefeito também acertou com relação aos corredores de ônibus. Quem pega transporte coletivo para o trabalho sabe que tem encurtado suas viagens de 40 minutos a 1 hora e meia por dia com a ação da gestão atual. Isso significa muito em termos de qualidade de vida para o cidadão.

O político foi responsável também por reduzir a dívida da cidade em 1/3, conseguiu o selo de “prefeitura boa pagadora de contas”, além de conseguir ampliar consideravelmente o número de vagas em creches.

A redução da velocidade teve pontos positivos. São cerca de 60 leitos liberados por dia por conta de um trânsito menos agressivo.

Isso sem falar nas mortes que caíram em cerca de 250 por ano.

Em contrapartida, Haddad falhou feio em sua comunicação.

Se por um lado gastou bem menos em publicidade que o prefeito anterior, por outro, não compreendeu a importância da comunicação social, de orientação e prevenção das ações a serem tomadas.

Um exemplo claro foi a redução de velocidade. Mesmo que grande parte da população tenha sido contra, seria minimamente adequado, antes de mudar bruscamente e ampliar os radares das vias, orientar a população com campanhas de comunicação prévias, avisando sobre a alteração e a importância do projeto – que era a redução dos acidentes, mortalidade e melhora da fluidez no trânsito que de fato ocorreram.

Como nada disso foi feito é evidente que a população sentiu o choque, até porque os números de velocidade sofrem variações de maneira esquizofrênica pela cidade. Os habitantes também não viram os 5% deste valor de multas arrecadadas revertido para políticas de educação e melhora das vias como diz o Código Nacional de Trânsito.

Haddad também teve dificuldade em administrar a repulsa geral ao seu partido por conta da alta exposição negativa que o PT, em âmbito nacional, recebeu por conta do impeachment da ex-presidente Dilma Roussef e dos escândalos envolvendo o também ex-presidente Lula.

O prefeito também teve problemas com as exageradas promessas – o que não foi uma particularidade sua apenas. Haddad prometeu uma quantidade de obras – CEUs, hospitais e creches que não saíram do papel.

Durante o período eleitoral, Haddad perdeu em alguns pontos. Seu horário eleitoral tinha tempo reduzido em relação a campanha anterior. Ele tinha, no pleito anterior, o apoio de alguns partidos que fizeram coalizão com Doria (PSDB) ou mesmo lançaram outra chapa como Marta (PMDB) e Matarazzo (PSD).

Também não levou em conta o fator novidade que Doria foi, assim como foi também Haddad em 2012 quando eleito.

Desde que a reeleição passou a ser uma realidade é a primeira vez que um candidato ganhou em primeiro turno. Haddad, mesmo ficando em segundo lugar, teve o maior índice de rejeição segundo as pesquisas.

O prefeito ganhou festa de agradecimento por seus avanços. Também pediu dinheiro de contribuição para finalizar as contas de campanha – uma vez que a lei eleitoral tem se tornado mais rígida não só para ele, mas para todos políticos.

Haddad deixará uma divisão enorme em São Paulo.

De um lado deixa suas boas ações que, se mantidas, reverterão em importantes números no futuro.

De outro, uma rejeição grande por ações tomadas de maneira unilateral, sem avisos e orientação à população.

Antonio Gelfusa Junior é editor responsável do SP Jornal.

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