Já dizia Darcy Ribeiro – e diariamente isso é comprovado – que vamos aos trancos e barrancos. Após o impeachment de Dilma Rousseff foi possível varrer a cortina de fumaça do marketing petista e ter uma visão real da situação brasileira. Caminhávamos, não fosse a guinada, a passos largos para nos tornarmos uma nova Venezuela.
Com o ímpeto gerado pela substituição de Dilma, aprovamos medidas de grande impacto que vinham sendo adiadas há décadas. Como resultado, a inflação e os juros caíram, o desenvolvimento econômico (PIB) registrado foi positivo (1,4%), a exportação alavanca empregos em 13 de 25 setores da economia (Estadão – 2/5/2017) e, pela primeira vez, conforme pesquisa do Datafolha (1/5/2017), o nível de confiança na recuperação econômica inverteu sua tendência de queda.
Mas esses avanços, no entanto, poucas influências tiveram no ânimo popular. A carga pesada da herança petista aliada à repulsa causada pelas cotidianas revelações dos delatores incendeiam a indignação do povo brasileiro. Como era de se prever, os próprios responsáveis por essa situação, demonstrando mais uma vez a falta de compromisso com o interesse nacional, partem para o confronto, com truculência, espalhando meias verdades que concorrem ainda mais para a desinformação da população.
Com certeza, em um futuro não muito distante, os efeitos da retomada do desenvolvimento serão mais perceptíveis. Com isso, o número daqueles que se dão conta de que o pior já passou e o caminho foi encontrado irá aumentar.
Conseguiremos fazer essa travessia? Isso somente não ocorrerá se o petismo e seus aliados galvanizarem a opinião pública e destruírem o que até aqui foi conseguido. Essa é uma batalha que se trava no campo da opinião pública. Cabe ao governo federal estabelecer um canal de comunicação com o povo brasileiro que deixe claro, de maneira convincente, a verdade dos fatos, de forma a inspirar a população a apoiar as mudanças.
Uma tarefa difícil. Mas dela depende o futuro do nosso País, como nação próspera e mais justa. Volto a dizer que o exemplo da Venezuela está aí, para mostrar um abismo que não está distante dos nossos pés.
Para conseguirmos atravessar este momento, o papel de cada um é essencial. Estamos lutando por nosso futuro.
Miguel Haddad é deputado federal.












