Prefeitura de Guarulhos encerra atendimento gratuito nos hospitais veterinários criados na gestão anterior

Com uma decisão inesperada, a administração do prefeito Lucas Sanches (PL) determinou o fim dos atendimentos gratuitos nos dois hospitais veterinários municipais — o HAG Centro e o HAG Pimentas — inaugurados em dezembro de 2024 pelo ex-prefeito Guti (PSD). A partir de quinta-feira, dia 10 de julho, ambos passam a cobrar por consultas, exames e procedimentos antes oferecidos sem custo à população.

As unidades foram um marco na política de proteção animal da cidade. O HAG Centro, instalado na Rua Luiz Gama, por exemplo, chegou a atender até 300 animais por dia, oferecendo desde simples consultas a especialidades como oftalmologia, cardiologia e ortopedia, além de exames de imagem, análises laboratoriais e cirurgias complexas.

Mesmo com alto número de atendimentos e ampla aceitação popular, o novo governo argumentou que “rompeu amigavelmente” o contrato com a Sociedade Paulista de Medicina Veterinária (SPMV), organização responsável pela gestão das unidades. Contudo, a mudança deixa sem explicação como será o futuro da assistência veterinária à população mais vulnerável.

A abertura desses hospitais estava entre as principais promessas da gestão anterior, que inaugurou as duas unidades em parceria com a SPMV ainda em 2024. A criação dos HAG elevou Guarulhos a uma das poucas cidades brasileiras a oferecer atendimento veterinário público — eram apenas 30 no país até então.

A interrupção repentina desses serviços gratuitos representa um retrocesso para a defesa animal e para a população que dependia do HAG para cuidar de seus bichos de estimação, muitas vezes sem condição de arcar com a conta.

Essa mudança ocorre no mesmo momento em que o plano de governo de Lucas Sanches contempla reformas em UBS, reforço à Guarda Municipal, instalação de câmeras e políticas públicas que, segundo críticos, reproduzem iniciativas já implementadas por Guti.

Enquanto isso, defensores dos direitos dos animais e moradores destacam que a retirada do caráter público dos HAG prejudica quem mais precisava do serviço. A ausência de informações oficiais sobre o custo pago pelos novos administradores só aumenta a insegurança e alimenta críticas.

Reportagem: Da redação. Foto: Divulgação.

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