Reduza a velocidade. Amplie a informação!

O atual secretário dos transportes, Jilmar Tatto, apresentou recentemente uma tese de mestrado a respeito da mobilidade em SP em que faz estudos pontuais sobre o caótico trânsito da cidade. Dados e estatísticas relevantes nos mostram o quanto a metrópole precisa repensar sua participação no contexto social.

A implementação dos corredores de ônibus e das ciclovias, por exemplo, foram também embasados neste estudo, além da redução das velocidades nas marginais.

A velocidade média dos ônibus nos corredores aumentaram e as ciclovias começaram e receber a presença de ciclistas.

A prefeitura tem feito seu papel no que diz respeito à mobilidade. Todas essas medidas impopulares eram uma necessidade para uma cidade grande. Porém, isso não exime a mesma prefeitura de se atentar aos reparos e ajustes que são necessários para conservação destes espaços.

Voltando à redução de velocidade em vias expressas, na gestão passada, o então prefeito Gilberto Kassab também permitiu, através de ações da CET, a redução de velocidade nas vias principais como as Marginais, por exemplo.

Na época o fato também gerou polêmica e repulsa, porém, com o passar do tempo, a medida mostrou-se eficaz do ponto de vista da redução de acidentes fatais e da educação do trânsito – cujos condutores de veículos eram estimulados a parar quando os pedestres pisavam nas faixas.

O ponto importante é que houve intensa campanha publicitária e ações de reeducação no trânsito que cooperavam com o processo de ensino-aprendizagem do cidadão. Isso ajudou bastante os condutores a entenderem as novas regras.

Está no Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9503/97) que 5% do valor arrecadado com multas deve ser investido para educação, informação e segurança de trânsito.

A gestão da prefeitura de SP arrecada, por dia, R$ 2,3 milhões num total de R$ 898,5 milhões por ano.

Atualmente, a prefeitura investe pouco para comunicar os cidadãos. São limitadas as ações neste sentido. Ou seja, está muito aquém do processo de ensino e educação de condutores que queremos. Isso sem falar que os radares triplicaram em quantidade nos últimos 6 anos.

De alguma maneira, os cidadãos também não fazem a sua parte. São milhares de infrações por dia por falta de respeito que também não são capturadas pelos radares.

Quanto à situação atual, o cidadão tem visto informações sobre a redução apenas por conta do questionamento feito pelos meios de comunicação ou por insuficientes faixas fixadas nas vias. Isso é pouco, ainda mais levando em consideração que muitos cidadãos passaram férias fora de São Paulo e não tiveram acesso às mudanças propostas.

Por outro lado, é preciso frisar que esta ação evitará sim que mortes aconteçam. Seja na travessia irregular de pessoas, seja em acidentes ao longo da via. Uma vida não tem preço, por isso a ação é válida.

Com a redução da velocidade os acidentes também serão menos intensos e naturalmente a velocidade média deve aumentar. Fernando Haddad disse isso dia desses em entrevista recente. Nos comparar a Londres e outras cidades também não é absurdo. É natural, é preciso que se olhe para frente!

Entretanto, para que não se caracterize indústria de multas esperamos, no mínimo, que campanhas de educação ganhem mais projeção e que pesquisas após um certo período monitorem e apresentem dados relevantes sobre a situação na metrópole.

Estão aí alguns pontos positivos e negativos com relação a esse assunto e cabe a prefeitura e principalmente o prefeito se posicionar no que tange ao que está incoerente.

Parte considerável dos paulistanos já pagam impostos caros para as condições ruins de ruas e vias expressas que temos. Ficaremos todos de olho!

Antonio Gelfusa Junior é diretor do SP Grupo de Jornais.

Qual o principal problema no Estado de São Paulo, atualmente?

Ver resultados

Carregando ... Carregando ...

Siga-nos

Veja também: