Recentemente, em visita ao exterior, a presidente Dilma afirmou ser receptiva aos refugiados da Síria e de outros países. Ponto forte para ela que, sem dúvidas, sabe o quanto o país sempre foi aberto e caloroso com as imigrações de italianos, espanhóis, portugueses, japoneses, libaneses e, mais recentemente, bolivianos, coreanos, peruanos, haitianos e tantos outros estrangeiros.
Pessoas que anseiam por construir um futuro melhor para seus filhos e para uma nação que os adota são sempre bem-vindas. Cada esforço para a recepção de refugiados será sempre pouco para um país com a extensão territorial e capacidade econômica como o Brasil.
Falando em economia, o governo, tentando conter uma crise causada por conta de sua lambança e prepotência político-administrativa, tenta reatar sua relação já decana, porém estremecida, com o PMDB.
Sem o PMDB na base aliada ficaria praticamente impossível gestar sozinho dentro do cenário público administrativo. Isso sem falar que o próprio partido, o PT, ficaria mais suscetível à aprovação das chamadas pautas-bomba – que fragilizariam ainda mais o caixa da União – e das possíveis aberturas de processos de impeachment, uma vez que sem o apoio de Eduardo Cunha, presidente da Câmara, sem Renan Calheiros, presidente do Senado, e sem a maioria dos legisladores, é natural um presidente viver na “corda-bamba”.
Como manobra para combater a atual crise política e a possível saída dos aliados, Dilma e seu grupo de gestores lotearam, para os ex-futuros-refugiados do PMDB, as pastas ministeriais da Saúde e Ciência e Tecnologia, ambos comandados neste momento por Marcelo Castro e Celso Pansera. Todos eles simpáticos a Cunha, Renan Calheiros e a Temer, vice-presidente.
Que o cenário político brasileiro sempre foi feito de alianças isso tudo mundo sempre soube. Que o PT já vendeu sua alma muitas vezes para alianças incoerentes com seus propósitos iniciais de fundação, também sabemos. Casos emblemáticos como as alianças com Collor, Sarney, Renan Calheiros, Maluf e até mesmo Cunha, que se dizia rompido com o governo, sempre foram muito questionadas. Porém, a resposta sempre foi: “os fins justificam os meios”.
De qualquer forma, com a dança das cadeiras ministeriais e a redução de cargos administrativos e comissionados, a equipe atual de Dilma espera economizar R$ 200 milhões aos cofres públicos. Nas últimas semanas as reuniões com o vice-presidente Temer e até com o ex-presidente Lula foram intensas neste sentido.
É claro que esperamos o melhor controle da crise possível. Isso será bom para os brasileiros, afinal, todos os dias estamos vivenciando a compactação econômica e ajustes fiscais que também são importantes para aprender a gastar melhor os recursos.
Porém, mais esperada que o controle dessa crise, é que a população em geral não perca sua capacidade de recordar as inverdades profanadas em horários eleitorais.
Seja qual for o candidato, desconfie de suas manobras onde vale-tudo para se (re)eleger.
Antonio Gelfusa Junior é diretor do SP Grupo de Jornais.











