Esta semana uma foto foi alvo de muitos comentários na grande imprensa e, principalmente, nas redes sociais – onde os debates dos prós e contras geralmente ganham certo calor pelas discussões.
Um retrato do Juiz Sérgio Moro, aparentemente em conversa íntima com o senador Aécio Neves (PSDB), gerou certa estranheza para os admiradores de ambos e ganhou críticas incisivas por parte de quem têm aversão às figuras.
Sérgio Moro também tem seus opositores. Reconhecido nacionalmente por ser a principal peça no processo de investigação da lava-jato, o juiz permanecido no encalço de muitas celebridades políticas. Num passado mais recente, os ex-presidentes Lula da Silva e Dilma Roussef, que contam com defensores militantes fervorosos, acusam o juiz de parcialidade e não dar o mesmo peso a investigações de outros partidos.
Já Aécio Neves, derrotado por Dilma nas eleições de 2014, da mesma maneira que Sérgio Moro, também tem seus desafetos.
Muitos sabem de seus processos com inúmeras investigações – inclusive na própria lava-jato – e sem dúvidas questionam o fato do político ainda não ter recebido a mesma tratativa pelo judiciário com a qual teve Lula, por exemplo.
Em primeiro lugar, as pessoas deveriam imaginar como deve ser difícil o trabalho de um juiz. Juntar provas, contar com limitações de instâncias, procedimento jurídicos específicos etc. Seu trabalho não deve ser fácil e se colocar no lugar do mesmo ajuda a entender o processo que não é uma questão simples de escolha.
Em segundo lugar, o fato é que nem sempre uma foto pode representar uma realidade. O retrato foi realizado por conta de um prêmio promovido pela Revista Isto É.
É impossível saber o que os dois conversavam, porém, não é a primeira vez que “flashes” mostram fotos em que Aécio Neves está rindo ou mesmo interagindo em conversa com outra pessoa.
Basta pesquisar superficialmente na internet que obtém-se facilmente fotos de Aécio Neves com Lula, Dilma com Eduardo
Cunha, o ex-presidente Fernando Collor de Melo com Lula, enfim.
São milhares os casos em que os retratados representam oposição, pelo menos aparente, as ideias do outro.
E nada disso impede que conversem ou contem piadas.
Se estão falando de algo incoerente ou ilícito, isso já não sabemos.
É importante lembrar que pouco antes do impedimento de Dilma Roussef, uma foto foi retratada onde Dilma, Aécio, José Eduardo Cardozo – na época advogado de defesa da ex-presidente – e Ricardo Lewandowski ministro do STF, estavam juntos, rindo, antes do desenrolar final do impeachment.
Estar ao lado de alguém, em uma foto ou momento, não significa exatamente que você concorde, seja amigo ou igual nas atitudes do outro indivíduo.
Quando Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, foi preso pela polícia federal, muitos vídeos mostraram Lula e Dilma falando bem de seu trabalho em gravações de horário eleitoral e comícios.
Diferente de uma conversa, foi promovido um apoio político e isso não significa que os dois sabiam das artimanhas de Sérgio Cabral.
Somente pessoas próximas e investigações profundas podem comprovar qualquer coisa.
“Achismos” não trazem nenhuma solução de fatos e é por isso que as autoridades precisam ter liberdade para investigar, inclusive uma simples foto.
Antonio Gelfusa Junior é editor responsável do SP Jornal.











