Dilma pode não estar envolvida com a corrupção direta, porém, ser conivente com a mentira tira-lhe toda a credibilidade.
Seria golpe se a possibilidade do seu afastamento tivesse ocorrido à força. Seria golpe se nesta visita ao exterior os oponentes tivessem tomado o poder. Mas não foi assim. Impeachment está na constituição!
Golpe é a traição. Familiar, amorosa ou política. Ela sim é sorrateira, doída e não está na constituição, porém no dia a dia, sim!
A base aliada de um governo só o abandona quando não concorda mais com suas atitudes. Ou só o abandona caso as benesses não são mais mantidas.
De qualquer maneira, hoje vemos uma presidente sozinha governando o país.
Dilma conseguiu, nos últimos tempos, despertar a ira de fiéis eleitores e defensores quando afirmou em horário eleitoral que a economia estava bem, que a gasolina e o dólar não aumentariam, que os impostos não seriam reajustados, que não cortaria os programas sociais e que não defenderia a volta da CPMF.
Muitos de seus eleitores viram, de maneira contraditória, a atual presidente elogiar o vice-presidente Michel Temer após a reeleição. O discurso de agradecimento, juntinhos, de mãos dadas, foi assistido com apreço e louvor, inclusive pelos petistas, peemedebistas, e claro, por todos aqueles que não têm memória curta.
No mesmo palanque estava Gilberto Kassab, aquele que era do antigo PFL, que depois virou Democratas, e que hoje é presidente do PSD. Kassab não está mais na base, assim como Paulo Maluf, do PP.
Todas as alianças construídas por Lula entre 2002 e 2010, quando presidente, debandaram assim que perceberam os rumos da economia e os números indigestos que a crise propiciou.
Perder também a aliança com um partido sem identidade como o PMDB não é espantoso. Eles sempre quiserem uma “boquinha” e sempre quiseram ser governo. Agora, de maneira suja, como sempre foram, estão com a faca e o queijo na mão!
Mas espantoso mesmo é ver o PT, que nasceu esquerda, querer governar com uma máquina política feita pela e para a direita brasileira. Resultado: o partido perdeu a identidade e a credibilidade, mesmo sabendo que realizou feitos importantes.
Longe de nós afirmar que a Dilma é o principal problema do país. De fato, ela não tem contas na Suíça ou investigação eminente como tem Eduardo Cunha, presidente da Câmara, e exemplo clássico da sujeira e falência do sistema eleitoral brasileiro.
Porém, a conivência de Dilma com um programa eleitoral mentiroso e que execrou os oponentes de maneira covarde com colocações indevidas, fez com que ela hoje passasse a provar da mesma fórmula sorrateira de ataque e traição que praticou.
Nem Dilma, nem Temer, nem Cunha, nem Renan, nem Aécio, nem Marina, nem Lula, nem ninguém!
A solução não é nenhum dos que aí estão.
A solução é a reforma política!
Antonio Gelfusa Junior é editor responsável do SP Grupo de Jornais.











